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quarta-feira, 30 de maio de 2012

CAPÍTULO QUINZE

E a Vida...


         Gabi achou melhor não acordar Isadora e saiu em silêncio. Achou que não estava preparada para ouvi-la dizer que tinha voltado com Ana Paula e teve certeza disso quando, ainda dentro de seu carro, viu Ana Paula chegar, se dirigir à portaria do prédio, com uma caixa grande nas mãos, tocar o interfone e entrar.

         A dor que sentiu foi lasciva, sentiu vontade de descer do carro e ir lá, gritar que a amava. “Como ela podia estar com Ana Paula e ter se entregado daquela forma para ela? Aquela caixa? Será que Ana Paula estava trazendo suas coisas para o apartamento de Isa? Por minutos ela não me pega lá, dentro do apartamento de Isa. O que teria acontecido?”

         Sua cabeça dava voltas, decidiu ir embora. No trajeto, refez mentalmente todo o caminho que havia percorrido naquela noite, no corpo de Isa.




- Oi Ana Paula, entra, estava entrando no banho. Espera um pouco?
- Hmm, bem que essa toalha podia cair.
- Não cai, não se preocupe - respondeu rindo e entrando no banheiro novamente.

         Ana Paula deu uma olhada geral no apartamento, espiou na porta do quarto, viu a cama, suspirou e se sentou na sala.

         Isadora saiu do banho, foi para o quarto, fechou a porta e voltou já vestida, com um agasalho branco.

- Dormiu bem? - Perguntou Ana Paula.
- S... Sim..., quer dizer, pouco, mas bem e você?
- Muito, principalmente depois de ter, enfim, conseguido ver você - falou a olhando profundamente.
- Ana, não vamos recomeçar essa conversa, ok? Estamos indo bem assim.
- Não tão bem quanto eu queria, mas se quer assim, será assim. Olha, trouxe suas coisas. Tem alguns livros, cds, quadros, coisas que você gostava. Agora, já não sei mais se gosta, mas está aí - apontou a caixa que estava próxima à porta.

         Conversaram por mais algum tempo, tomaram café e Ana Paula se despediu.

- Posso te ligar quando vier a Floripa de novo?
- Claro Ana. Boa viagem, vá com cuidado, ok?
         Abraço, um selinho e foi embora, deixando Isadora olhando para a caixa no chão e pensando em Gabi. “Será que ela viu Ana Paula chegar?”




         No inverno, os dias são curtos e as noites são longas, muito longas, principalmente quando sentimos o frio da cama vazia.

         Caminhar na praia era uma aventura somente para quem tinha muita coragem. O vento sul gelava a pele e a areia era como açoite que a cortava. Gabi andava com Xis, sozinha. Toda aquela imensidão e nem uma alma. Já estava habituada com isso. No verão, tinha que disputar o lugar na areia e, no inverno, tinha aquele paraíso somente para si.

         Fazia mais de uma semana que havia feito amor com Isadora em seu apartamento e, desde aquele dia, não havia um dia que não se lembrasse de todos os detalhes daquela noite. Contou somente para Marina o que tinha acontecido.

- Você escapou por pouco. Já pensou se ela te pega lá?
- Sinto tanta saudade, Marina.
- Por que não a procura? No banco aquela Ana Paula não estará.
- Vou dizer o que? Volta pra mim? Amo você? Não dá Marina.
- É, fica estranho, principalmente depois de toda a merda que vocês duas fizeram.
- Marina, não sei por que conto as coisas pra você - falou e deu as costas, deixando Marina falando sozinha.   




         No Banco, Isadora mergulhava no trabalho. Procurava ocupar sua mente, ao máximo, para evitar os pensamentos em Gabriela, não conseguia. Quando percebia, estava lembrando daquela noite e do amor maravilhoso que haviam feito.

         Diversas vezes pegou seu celular para ligar pra Gabi, mas desistia. Sabia o que Gabi estava pensando, que ela e Ana Paula haviam voltado. As atitudes de Gabi naquela noite, na boate, depois em sua casa, na cama, davam-lhe certeza disso. Queria desfazer isso, dizer a ela que não, que jamais voltaria para Ana Paula, que a amava, mas logo lembrava de outras coisas. Luiza, foi esse o nome que Gabi falou e não sabia se conseguiria passar por cima disso. Confiar novamente, entregar-se numa relação depois do que havia presenciado. A lembrança daquele dia a atormentava.

         Saia para o almoço, na maioria das vezes, com Clarice. Às vezes, Gustavo as acompanhava e as conversas eram sempre divertidas. Isa evitava falar de Gabi, mas eles a lembravam.

- Eu acho que você deveria ir lá pegar essa menina de jeito, jogá-la na cama e mostrar quem manda, deixar claro que é só com você que ela é feliz assim.

         Gustavo terminou de falar e elas caíram na risada.

- Que coisa mais machista, Gustavo, que horror - falou Clarice rindo e olhando para Isadora com olhar cúmplice.

         As duas sabiam que isso já havia acontecido.

- Machista é? Vocês é que complicam as coisas. As duas querem a mesma coisa, mas ficam aí sofrendo - completou Gustavo.

- E Ana Paula, quando vem de novo?

         Clarice mudou o foco da conversa, querendo disfarçar o interesse. Os dois olharam para ela e não se controlaram. Explodiram em risadas.

- Demorou hein? - Gustavo brincou.
- Pode dizer, Clarice, tá a fim, né? - Perguntou Isadora.
- Vocês são uns idiotas, só perguntei - respondeu zangada.
- Não sei, mas será a primeira a saber, tá? - Falou Isadora sorrindo.

         Terminaram o almoço voltaram para o Banco. No caminho, Gustavo as abraçou e disse:

- Vocês são maravilhosas, mulheres maravilhosas, quero muito vê-las felizes ao lado de quem amam e isso, tenho certeza não vai demorar.

         As duas se olharam, acharam estranho, mas retribuíram com um beijo cada uma na face de Gustavo. Demoraram no retorno ao Banco. No caminho, paravam, riam, faziam brincadeiras um com o outro. Não sabiam ainda, mas seria a última vez.

         Faltavam alguns minutos para a agência bancária fechar, Isadora estava próximo à mesa de Marco Aurélio, conversando com um cliente e não percebeu quando um homem entrou no banco com duas muletas e se aproximou do segurança. Tirou uma arma da cintura e fez com que o segurança liberasse os sensores da porta principal, dando livre passagem para mais três que, imediatamente, obrigaram o segurança a fechar as portas.

         Isadora ouviu os gritos e a confusão que se seguiu. Quatro metralhadoras apontadas para eles e, de repente, um dos assaltantes caiu junto com o barulho de um tiro disparado. Rapidamente, o pânico tomou conta das pessoas. Ouviram-se os barulhos dos tiros disparados em sequência. Isadora tentou se mover, mas algo a faz ser jogada para trás bruscamente. Antes de a escuridão tomar conta, viu quando Gustavo a segurou. Por segundos, seus olhares se cruzaram e foi o tempo suficiente para saberem que aquele olhar seria eterno... Gustavo caiu junto com ela.

4 comentários:

  1. Ain que triste coitada de isa ver isso acontecer com um amigo e tomara que isa e gabi deixem de cabeça dura e uma procure a outra logo pra resolver esse mal entedido logo ... esperando pelo proximo capitulo muito bom Wind Rose

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  2. Nosssaaaaa!!!
    Não consigo nem expressar em palavras o final desse capítulo!

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  3. MEUDEUS...Q ME MATA JUNTO?? como assim um tiroteio dentro do banco...meudeus q eu fiquei mais de boca aberta q nunca...aiaiai to aqui roendo as unhas torcendo pra q nada aconteça com a Isa ou com o Gustavo.
    depois desse cap nem preciso fala q ta fascinante né Wind Rose?
    beijooos ^^

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  4. ahahahahahahahaha! (puro nervosismo!)

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