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quarta-feira, 30 de maio de 2012

CAPÍTULO QUATORZE

Desejos



Isadora olhou o número no celular e desta vez resolveu atender, já era a quinta vez naquele dia que ela ignorava aquela ligação.


- Oi.
- Que difícil falar com você! Ou será que não quer falar comigo?
- As duas coisas, Ana Paula.
- Isa, por favor, meu amor, só quero vê-la, estou na cidade desde ontem.
- Pra que, Ana Paula? Pra que isso agora? - Falou desmotivada.
- Estou tentando me aproximar de você há meses, Isa. Você não me dá chance. Vamos sair hoje, jantar em algum lugar. Só conversar, vai?
- Hoje tenho compromisso, vou sair com amigos, não vai dar.
- Onde você vai estar?
- Vou sair pra jantar e depois uma boate - falou e se arrependeu.
- Qual? Aquela em que íamos juntas? Encontro você lá.
- Ana Paula, se quiser ir vá, mas não espere que eu me jogue nos seus braços. Isso não vai acontecer mais.
-Estarei lá, beijo. - E desligou.




Isadora estava sentada num dos bancos altos, próximo ao balcão. Clarice, ao lado dela, e Gustavo de pé, na frente das duas. Riam das coisas engraçadas que Gustavo contava. Desde que descobriram o seu lado gay, como ele dizia, sempre convidavam ele para sair com elas. Ele era muito divertido e seus casos amorosos mais divertidos ainda.


- Você podia tirar essa gravata, Gustavo, pelo menos aqui - falou Clarice rindo.
- Clarice, minha querida, isso é uma forma de selecionar, entende? -Disse arrumando o nó e olhando para um garoto que estava de pé próximo as mesas.
- Nossa, que gata - Clarice terminou de falar e Isa olhou para a porta.
- Ana Paula - suspirou.
-Sério? Ela vem pra cá...




Ana Paula viu Isa no momento que entrou, pois ela estava no balcão próximo a entrada da boate. Dirigiu-se a ela.


- Você continua linda - falou dando-lhe um beijo na face, roçando os lábios no cantinho da boca de Isa.
-Oi, Ana Paula, esses são meus amigos Gustavo e Clarice... e... Ana Paula - falou olhando para eles.
- O prazer é nosso - falou Clarice, sorrindo.


Ana Paula fez que não entendeu e olhou para Isa.


- Podemos conversar? Vamos até o bar, tem menos barulho. Vocês não se importam se eu roubá-la um pouquinho?


Isadora disse aos dois que já voltava e saiu com Ana Paula para outro ambiente da boate. Procuraram uma mesa vazia e sentaram. Conversaram um pouco sobre amenidades e Ana Paula resolveu tocar no assunto.


- Isa, não quero parecer insistente, nem causar constrangimentos a você. Mas queria dizer isso olhando nos seus olhos. Eu estou muito arrependida do que fiz. Descobri muito tarde, que tudo o que queria estava em você. Eu te amo, Isa, nunca deixei de te amar. Era isso que queria te dizer. Agora é com você, se me aceitar, ou melhor, se me der uma chance de me aproximar novamente de você...


Isa interrompeu-a colocando as mãos nos seus lábios.


- Ana Paula, você não imagina o quanto eu quis ouvir isso de você - disse carinhosamente. Percebeu que não sentia mais raiva ou mágoa dela e continuou: - Mas agora não dá mais, Ana. Muitas coisas mudaram, eu mudei, descobri em mim coisas que eu mesma não conhecia. Não consigo mais ser aquela mulher racional e ponderada que você conheceu. A mulher que você diz que ama, não existe mais, Ana. A única coisa que posso te oferecer é minha amizade, se aceitar.


Viu Ana Paula secar uma lágrima no canto do olho.


- Isso é muito diante de tudo que fiz você sofrer, mas pelo menos posso ficar por perto e conhecer essa nova mulher que existe aí dentro. Fiquei curiosa agora - falou rindo maliciosamente.
- Você não muda - falou sorrindo.
- Precisava fazer isso, Isa, precisava falar com você, olhando nos seus olhos, pois foi assim que te disse coisas horríveis. Precisava desfazer isso da mesma forma.


Aproximou-se e deu-lhe um beijo nos lábios encostando levemente. Isa aceitou.


- Agora vamos, fica com a gente?
- Fico mais um pouco, tenho que ir embora amanhã.


Levantaram-se e voltaram para onde estavam Clarice e Gustavo. Assim que Isa se aproximou, Clarice chegou perto dela e falou no seu ouvido:
- Gabi está aqui.


Isadora respirou fundo e sentiu seu corpo queimar.


“Um dia isso aconteceria, não é? Mas não precisava ser hoje” - pensou.





Gabi, Marina, Julia e Carla estavam sentadas do outro lado da pista. Quando entraram na boate, Gabi viu Clarice e rapidamente seu olhar procurou Isadora. Não achou. Concluiu que ela não estava junto.


As quatro bebiam e gritavam uma com a outra, pois era impossível conversar. Decidiram ir para a pista. Carla se aproximou mais de Gabi e dançava bem próximo a ela, que se divertia com as investidas e jogos que as duas faziam com ela e Marina.


Apesar do frio que fazia na rua, ali estava quente. O suor escorria nos corpos e a roupa grudava na pele. Decidiram beber algo, Gabi e Marina foram buscar. Marina saiu na frente de Gabi. De repente, Marina freia e Gabi bate em suas costas.


- Ai! Que isso, Marina?
- Gabi, olha pra mim, Isadora está aqui - falou como se anunciasse o apocalipse.
- Onde? - Perguntou.
- Ali, não tá vendo?!
- Vamos até lá - e passou na frente de Marina, que tentou impedi-la.
- Gabi não, volta aqui... droga!... merda! - E saiu atrás dela.





Isadora percebeu o olhar assustado de Clarice, que olhava para alguém as suas costas. Antes de virar ouviu a única voz que reconheceria entre todas as existentes no mundo.


- Olá Isadora, tudo bem? - Falou tentando demonstrar segurança.


Isadora virou-se para ela.


Deparou-se com um olhar exploratório de Gabi, sentiu-se derreter.


“Linda” - pensou Gabi, que recebia um olhar profundo, intenso de Isa. - “Saudade”.


Ficaram alguns segundos decifrando-se e por alguns momentos, Gabi percebeu que Isa estava feliz em vê-la. Correspondeu com o mesmo entusiasmo, Isa percebeu.


- Haahn - Gustavo limpou a garganta, tentando aliviar a tensão.
- Oi, Gabriela - conseguiu dizer Isa.
- Olá, prazer, sou Ana Paula.


Isadora queria que o chão se abrisse e que Ana Paula caísse nele.


“Não acredito, sei que vai pensar bobagem.”


- Oi... - respondeu Gabi, perplexa com o nome que tinha ouvido, e olhando para Isadora.


“Não acredito que estão juntas” - Pensou ou perguntou, não soube.


Isadora da mesma forma respondeu, sem saber se tinha ouvido sua pergunta, com o olhar fixo em Gabi, pensou:


“Não é o que está pensando meu anjo! Está com ciúmes?”


Desviou o olhar tentando esconder que sorria.


Marina percebeu a tensão do momento e interferiu puxando Gabi:


- Só passamos para dar um oi, depois nos falamos, vem Gabi.


Pegou na mão de Gabi e voltou pelo mesmo lugar que vieram.


Clarice viu o desconcerto de Isa e a convidou pra ir ao banheiro.


- Ela acha que nós voltamos, acha que eu e Ana Paula estamos juntas - falou Isa.
- Como pode saber, ela não falou nada Isa, calma.
- Ela disse, não, acho que pensou, não sei Clarice. Mas tenho certeza disso.


Balançou a mão como quem afasta algo do rosto, tentando sair da confusão que estava.


- Dizer, sei que ela não disse. Ela ficou calada, as únicas palavras que disse foi: “Oi”.
- Eu ouvi, senti.
- Mas Isa, olha pra mim - pediu Clarice. - Você está preocupada com o que ela está pensando?
- Quero ir embora.


Clarice suspirou.


- Você... ainda a ama! - Disse antes de saírem.


Voltaram e Isa se despediu de todos e foi embora. Ana Paula saiu junto e acompanhou Isa até o carro.


- O que aconteceu, Isa?
- Estou cansada, só isso.
- Isa, tenho algumas coisas suas pra te entregar. Posso passar em sua casa amanhã, antes de ir embora?


Isadora ficou com receio de dar seu endereço para ela, mas acabou dando.


- Passo de manhã, ok?


Ana Paula a abraçou e deu-lhe um selinho, Isa correspondeu. Entrou no carro e foi embora, rapidamente.


- O que aconteceu lá? - Perguntou Marina.
- Elas voltaram, Marina.
- Você não sabe, não pode afirmar - tentou contornar.
- Preciso esquecê-la, Marina, preciso tirar essa mulher de dentro de mim.
- Vem, vamos voltar pra mesa, eu vou com uma das meninas pegar algo pra gente beber.
- Marina, preciso sair daqui, não vou suportar isso. Vê-las juntas.
- Mas Gabi... E as meninas?
- Você volta com elas, tudo bem? Sei que você... você se vira bem.


Marina suspirou.


- Vai com calma, tá? Não quer que eu vá com você?
- Não, fica. Não quero estragar a noite de vocês.


Deu um abraço em Marina e dirigiu-se a saída. Ao passar pelo balcão, não viu mais Isa nem Ana Paula. Sentiu uma dor comprimir seu peito. Saiu da boate a tempo de ver Ana Paula beijando Isadora antes de ela entrar no carro e ir embora, o que a fez sentir um ciúme desesperador. Tomou sua decisão.





Isadora chegou em casa, jogou sua bolsa em cima do sofá, tirou o casaco, os sapatos e antes de abrir o primeiro botão da blusa seu interfone tocou.


- Isa? Abre, preciso falar com você.


“O que ela quer aqui?” - pensou e abriu quase que movida por um impulso. - “Droga! Não devia ter aberto. Quanto tempo o elevador demora pra chegar? Será que consigo sair pela escada de incêndio? Se fosse mais baixo saia pela janela. Não seja idiota, Isadora, você queria abrir. Campainha, já? Quando quero que demore ele voa.”


Isadora fixou seus olhos em Gabi, que a olhou dos pés a cabeça demoradamente. Isadora percebeu imediatamente o que ela queria e deu um passo para trás. Antes de falar qualquer coisa, Gabi entrou e fechou a porta. Foi sua vez de tomar Isa em seus braços e a beijar de forma voraz, mas sem agressividade. O beijo urgente foi se transformando lentamente numa exploração delicada e cheia de desejo, correspondida por Isadora, que se afastou e perguntou:


- O que você quer? - Com a voz embargada.
- Sexo casual, não era isso que queria? E de Graça...


Gabi percebeu a transformação de Isadora, que tentou sair de seus braços, mas Gabi a segurou firme e buscou novamente seus lábios, tomando-a com desespero, segurando-a com força, pelos cabelos, nas costas, mas sem machucá-la. A cena se repetia, mas desta vez era Gabi quem estava no controle e Isa não teve forças pra se livrar daquele ataque. Talvez não quisesse. Gabi percebeu que ela não resistia mais e aliviou a pressão, mantendo sua boca na dela, num beijo desejado pelas duas. Começou a se mover em direção ao quarto, guiando Isadora, para que não batesse nos móveis. Ao mesmo tempo, ia abrindo a blusa de Isa e depois baixando o zíper da calça, sem parar de beijar sua boca. Ao chegarem na porta do quarto, Isa estava só de calcinha e Gabi tentando se livrar de suas roupas.


Chegaram na cama nuas. Gabi a deitou, colocando-se por cima dela, fazendo-a abrir as pernas. Rapidamente se colocou entre elas, se movimentando, se encaixando, ao mesmo tempo em que beijava a boca, o pescoço, passava a língua em sua orelha, mordia. Segurou um dos seios, levou sua boca até ele, não se conteve e o sugou com voracidade, arrancando gemidos altos de Isa, que a puxava para si, queria senti-la. Cada movimento carregado de saudade, sentiam falta da pele, do toque, do cheiro. Era uma necessidade incontida, exposta, buscando uma na outra apagar as marcas daquela ausência dolorosa.


Gabi segurou os braços de Isa no alto de sua cabeça e disse próximo ao seu ouvido baixinho:


- Pede Isadora, quero que você peça.


Neste momento, imóvel, ficou esperando que Isa implorasse, queria ouvi-la dizer que ainda a queria, precisava ouvir.


- Gabi, por favor - falou ofegante.
- Pede, nem que seja uma última vez - falou suplicante.


Isa não se controlou... tentou mas não conseguiu...


- Me faz sua Gabi, me come, agora - falou tomada de desejo e tesão.


Gabi sorriu e buscou seus lábios, soltou seus braços e desceu sua mão, passando pelo seio, pelo ventre. Penetrou-a com dois dedos, fazendo movimentos lentos e profundos. Gabi se posicionou de forma que Isa pudesse alcançar seu seio. Isadora segurou com uma mão e o conduziu à sua boca. Lambia, sugava, passava em seu rosto, tomava-o novamente, enquanto sentia os movimentos de Gabi dentro de si.


Gabi aumentou o ritmo em Isa e percebeu a aproximação do prazer que chegava. A pressão que Isa fazia com a boca em seu seio aumentou e seu corpo se contraiu em espasmos de um orgasmo alucinante, que veio acompanhado de palavras e gemidos sem articulação. Gabi a segurou forte e a beijou, um beijo carregado de amor, amor que sentia e queria que ela soubesse.


Isa não esperou muito e fez o que mais desejava fazer naquele momento, colocou-se em cima de Gabi e desceu lentamente, passando a língua em todo seu corpo. Viu as tatuagens que tanto amava, dando pequenas mordidas em alguns lugares e parando no meio de suas pernas. Fez Gabi abri-las e com a língua apropriou-se do que mais queria. Os gemidos de Gabi a cada pressão de Isa em seu clitóris a incentivava, Isa a penetrou com dois dedos e continuou com a língua, lambendo, sugando, mordendo levemente, sincronizando o ritmo que fazia com a mão e com a língua, até que Gabi gritou seu nome e explodiu entregando a Isa todo o seu prazer. Isa o tomou como quem encontra uma fonte, após meses no deserto.


Percorreram, mais uma vez, o caminho que seus desejos indicavam.


Isadora estava deitada sobre o braço de Gabi, que passava os dedos em seu ombro.


- Eu te amo - disse baixinho.


Mas Isadora não ouviu, dormia.


O sol já estava alto no horizonte quando Isa acordou com o barulho da porta fechando. Levantou, não encontrou nem sinal de Gabi no apartamento. Pensou em ir atrás e chamá-la.


“Por que não me acordou? Por que foi embora assim?” - Ficou arrasada. - “Sexo casual” e suspirou - “A culpa é minha, fui eu quem provoquei”. Entrou no banheiro.

3 comentários:

  1. affz Isa deveria pelomenos ter ouvindo o eu te amo da gabi mas amei esse capitulo esperando por mais continua Wind...

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  2. Ahhh desse jeito vc me mataaa kkkk, nossa super anciosa a cada dia pra ver o desenrolar dessa estoria. Bjsssss *--*

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  3. meudeus....quando elas vão se entender de vez??? aiaiai to aqui mais do q ansiosa para o próximo cap. *-*
    está perfeito Wind Rose...to simplesmente fascinada pelo conto e torcendo q nem doida para q as duas volte e q essa Ana Paula não atrapalhe.
    bjs ^^

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