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quarta-feira, 30 de maio de 2012

CAPÍTULO DEZ

Um Engano


         Não soube por quanto tempo ficou ali, mas foi o suficiente para lembrar-se de todos os momentos doces que teve com Isadora. Das conversas divertidas, dos momentos maravilhosos, das vezes que fizeram sexo voraz, das noites que fizeram amor. Até que sentiu alguém a suspender de onde estava sentada e a carregar para dentro de casa.

         Pedro levou-a para o quarto e a colocou na cama, ajoelhou-se no chão e ficou ali, passando a mão em seus cabelos, em silêncio. Sabia que ela não falaria nada, até que tivesse vontade.

         Depois de um longo tempo, Gabi levantou-se um pouco, sentou com as costas na cabeceira da cama, enxugou um pouco as lágrimas.

- Pedro, perdi Isa - a voz quase não saiu.
- Quer me falar o que houve? - Disse compadecido.

          E Gabi contou a Pedro o que havia acontecido, omitindo o tapa, preferiu não falar.

         Depois de ouvir a história de Gabi, ponderou o que iria falar, pois diversas vezes havia dito à irmã que contasse a Isa, mas não tinha sido ouvido.

- Meu amor, você vai ter que ter paciência. Ela vai voltar, se ela gosta de você ela voltará, pode ter certeza.
- Fui covarde, eu falhei com ela, principalmente porque sabia de tudo que ela passou com aquela Ana Paula... e acabei fazendo pior.
- Não, você teve medo, com o tempo ela vai entender.

         Gabi abraçou Pedro, que a segurou com força, tentando passar-lhe segurança e conforto. Ficaram assim por longo tempo.



         Isadora dirigia, mas não enxergava a estrada, os olhos cheios de lágrimas escorriam pela face. Não saíam de sua cabeça as imagens que presenciou: as duas no mar, como há alguns dias ela e Gabi estavam, depois sentadas na escada, aquela mulher passando a mão em seus cabelos daquela forma, beijando-a, abraçando-a. Depois, quando entraram abraçadas para dentro de casa, a demora em sair, a despedida, um beijo na boca. “Como fui tão cega. Não! De novo não! Não vou passar por isso de novo. Porque ela fez isso comigo? Por quê? Vou esquecer você, vou recomeçar novamente. Não é difícil, sou perita nisso!!! Porque fui amar você? Não, eu não a amo, não posso mais!”. 

- Porque fez isso comigo?!! - falou alto.

         Chegou em casa, jogou-se na cama e chorou, chorou até adormecer.



         No outro dia, Pedro remarcou todos os clientes que Gabi atenderia. Sabia que ela não sairia do quarto. Ligou para Marina e pediu ajuda. Não demorou muito e Marina estava lá.

- Gabi!!! Abre a porta, por favor. Sou eu, Marina.
- Marina me deixa em paz!!!
- Não vou sair daqui e sabe disso.

         A porta se abriu e Marina viu uma sombra que se movimentava e que voltou a se jogar na cama. Entrou no quarto e pensou: “Isso vai ser difícil.”

         Passou o sábado na casa de Gabi, tentou tirá-la do quarto, mas não teve sucesso. Nem ao mar ela quis ir. Marina desistiu, resolveu ficar ali com ela. Foi na cozinha, preparou um super piquenique e levou para o quarto de Gabi. Sentou-se nas almofadas e ligou a televisão.

- Vou ficar aqui, não vou embora, nem a lugar algum. Não vou te deixar sozinha. A hora que quiser falar estarei aqui, tá bom?”

- Faça o que quiser, e virou-se para o outro lado.

         Depois de Marina ter assistido a dois filmes e comido de tudo...

- Vou procurá-la na segunda - falou Gabi se levantando e indo para o banheiro.

- Voltou? Como estava o purgatório? - Falou Marina.

         Esperou Gabi retornar e perguntou:

- Foi com Luiza, não é? “Pergunta besta a minha, claro que foi” - pensou.
- Foi.
- Eu falei pra você terminar com ela por telefone, você não me ouviu.

         “Cala boca sua estúpida” - pensou. “Agora já falei”.

- Ótimo Marina, obrigada, você é ótima, me ajudou muito.
- Tá Gabi, desculpa, não quero deixar você pior.
- Impossível ficar pior do que estou.

         E contou a Marina o que aconteceu, inclusive do tapa, o que Marina reagiu colocando a mão na boca:

- Meu Deus - falou e continuou ouvindo.
         Marina passou a noite de sábado e o domingo com Gabi, apesar dos protestos e argumentos de que queria ficar sozinha, mas não adiantou. Pedro ficou distante, nunca gostou de ver Gabi chorar ou sofrer por qualquer coisa que fosse e achou que com Marina ela estava em boas mãos.

         Isadora levantou cedo no sábado, pegou umas roupas e foi para o interior, para a casa de seus pais, talvez precisasse de colo.

         Passou o sábado conversando com sua mãe, que lhe contou os últimos acontecimentos da família. Os problemas com a irmã mais nova de Isa, o pai, que cada vez estava pior e ranzinza e, assim, Isa tentou esquecer o que tinha acontecido, mas pegava-se quase sempre se lembrando dos momentos com Gabi. Do quanto a quis e ainda a queria, do quanto se entregou, dos momentos felizes, das noites maravilhosas e logo vinha à sua mente aquelas imagens, aquela mulher loura, bonita, tocando na sua menina. Sentia raiva, diversas vezes escondeu-se no quarto ou no banheiro para chorar. À noite, deitou-se no colo de sua mãe, que passava a mão em seus cabelos. Ali se sentiu frágil e deixou as lágrimas escorrerem, sem se preocupar. Sua mãe a abraçou e insistiu em saber o que estava acontecendo.

- Foi aquela mulher de novo, não é Isa? Me diz - se referindo a Ana Paula.
- Não mãe, não é Ana Paula, é outra pessoa, mas não quero falar sobre isso. Me perdoa, não posso agora.
- Minha filha, sou sua mãe e sempre estarei aqui. O dia que quiser conversar estarei aqui.

         Beijou a testa da filha, apertando-a em seu colo.

         Voltou para casa no domingo à tardinha, quando abriu a porta do apartamento, sentiu um vazio imenso e lembrou-se das vezes que teve Gabi ali, na sala, no banheiro, na cozinha. Achou que não conseguiria entrar no quarto. Deitou no sofá e adormeceu.

Um comentário:

  1. Li este conto no falecido XANA IN BOX... Wind, você me inspirou de uma maneira única e me fez sair da concha... Da zona de conforto, e escrever meus própios contos... Sou Endless... Abcles... Mas devo muito a você e Diedra, que sabem como fazer duas personagens interagirem no tempo da trama sem ser repetitivo... Pensamento de uma, complemento da outra... Vocês são minhas divas!!! Um abraço.

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