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quarta-feira, 30 de maio de 2012

CAPÍTULO CINCO

ENCONTREI VOCÊ

Pedro as salvou.

- Esta é minha irmã, Gabriela! Apontou para Gabi e continuou.
- A Srta Isadora, é esse seu nome, certo? Está com algumas dúvidas sobre fazer uma tatuagem ou não. Converse um pouco com ela.

Gabi puxou o ar, achou que tinha parado de respirar por minutos. “Isadora”
- Claro, pode entrar. E se encaminhou rapidamente para dentro de sua sala. “Que falta de educação Gabi. Deveria ter esperado ela entrar primeiro”, pensou enquanto sentava próximo à mesa.
- Quer que eu entre junto? Perguntou Clarice, não entendendo o desconcerto de Isadora.
- Não, obrigada, respondeu baixinho e se dirigiu à sala e à uma cadeira do outro lado da mesa.

Pedro fechou a porta. E ficou pensando. “O que deu nela, Gabi ficou pálida” e pensou no empréstimo que aquela mulher tinha lhe negado. Voltou para o balcão, onde o telefone tocava.

Não se olhavam diretamente. Isadora ficou olhando ao redor como se quisesse conhecer o studio e pensava “Fala alguma coisa,ou será que eu tenho que falar?”. Gabi olhava para uns desenhos na mesa. Silêncio, o tempo novamente. Gabi levantou os olhos mas desviou do olhar de Isadora e disse:

- Sua namorada pode entrar também. Disse provocativamente.

Isadora procurou o olhar de Gabi e respondeu:

- Q... quem? Ela não é minha namorada, falou colocando seu corpo mais para frente e esperando que Gabi a olhasse. Explorou aquele rosto lindo.

Gabi levantou o olhar para Isadora. Aquele mar azul novamente, me chamando.

- Desculpa é que não sei. Naquele dia, pareceu que era, falou, agora com o olhar preso em Isa. Não conseguia mais tirar os olhos dela. “Maravilhosa! Adoro o jeito que como se movimenta, fala... respira”.

Isadora puxou aquele olhar para dentro de si. Queimou novamente.

- Clarice é minha colega de trabalho. Naquele dia. eu estava esperando você, conseguiu dizer sem tirar os olhos de Gabi. “Como é linda,   perigosamente linda e suave”. Continuou.
- Quem estava acompanhada era você, falou com ar desapontado.

- Eu? Com q..quem? Não... não! Marina é minha amiga. Não lembra dela? Foi ela quem me arrancou dos seus braços no primeiro dia em que nos conhecemos, falou sem jeito.

- Ela estava fugindo de uns tapas que levaria de uma namorada ciumenta. E riu percebendo o mal entendido.

Isadora inebrio-se naquele riso.

- Sua amiga merece, realmente, uns tapas falou, também, rindo.

Seus olhos desceram até os seios de Gabi e voltaram. Pararam por uns segundos na boca e se fixaram nos olhos castanhos, que nesse momento, refletiam os tons esverdeados. Com a voz  embargada, disse:

 - Desde aquele dia não consegui tirar você do meu pensamento, mas não sabia nada de você, nem seu nome.

Silêncio. Ouviam somente a voz de Robert Plant, cantando All of my love.

Gabi levantou e caminhou devagar. Abaixou-se na frente de Isadora, ficando de frente para ela, que permanecia sentada. Com um joelho no chão, Gabi encarou aquele olhar que a perturbava e falou:

- Muito prazer, meu nome é Gabriela, disse baixinho.

- Isadora, respondeu Isa no mesmo tom

Gabi não esperou mais. Afastou as pernas de Isadora para poder se aproximar de seu corpo e tomou sua boca com vontade. Isadora segurou Gabi pelos cabelos, pela nuca e puxou-a para si, entregando sua boca e querendo sentir o gosto daquela menina. Beijaram-se, sentiram-se, com a língua, com os lábios. Gabi passava as mãos no corpo de Isadora, explorando. Foi com  os dedos  até onde terminava o vestido e voltou com as mãos por baixo dele, sentindo a pele e parando no final das coxas. Puxo-a de encontro ao seu corpo. Isadora afastou o avental branco de Gabi, puxou sua camiseta. Queria tocar, sentir sua pele. O desejo tomou conta das duas, cada uma querendo sentir o máximo da outra, como se o mundo fosse acabar nos próximos segundos.

Beijaram-se pelo tempo suficiente que um beijo cheio de paixão e desejo pode durar.

Até que Isadora ofegante afastou Gabi e disse:

- Que horas você sai daqui? Num sussurro cheio de desejo.

- Não sei, Gabi respondeu, não querendo se afastar.

- Mas seja a hora que for, vou encontrar você, completou.

- Escuta, hmmm!, pediu Isa, tentando falar no meio de um beijo

- Vou para casa, hmm! e volto. Espero você no bar que fica aqui em frente, quer?

- Saio daqui e vou correndo, falou Gabi, que estava com uma mão no seio de Isa.
- Quero  você!, falou baixinho e continuou dentro da boca de Isa mais alguns minutos intensos.

Ouvem uma batida na porta e Clarice pergunta:

- Posso entrar?

Gabi se levanta, arruma a camiseta por baixo do avental branco que Isa havia tirado de dentro de sua calça. Isadora arruma o vestido e o biquíni, tentando esconder o biquinho do seio que demonstrava a vontade que estava. Arrumou os cabelos.

-Pode sim, respondeu Gabi.

Clarice entrou e olhou para as duas que sorriam. Na verdade viu mais que um sorriso, viu felicidade. Disse, então, olhando para Isa:

- Pelo visto ela te convenceu, né?

- E como me convenceu, falou Isa sorrindo
- Tanto que acho que vou encher meu corpo de tatuagens, falou rindo olhando para Gabi.

-  Vamos começar amanhã, falou Gabi para Clarice.

- Você trabalha domingo? Tem uma placa lá na frente dizendo que não, falou desconfiada.

- Amanhã vou trabalhar, falou sem demonstrar a vontade que estava de rir da gafe que tinha dito.

Pedro chega na porta, bate, abre e diz:

- Gabi, demora?

- Estamos saindo, responde Isa, dando uma última olhadinha para aquela menina linda e já saindo pela porta, com Clarice atrás. Gabi percorreu seu corpo com os olhos, enquanto se afastava, não acreditando no que tinha acontecido e no que poderia acontecer dali para frente. “Mais um pouco e teria feito amor com ela aqui, nesta maca. Amor???? Deus, o que está acontecendo comigo???”

Pedro vai com elas até a porta e pergunta:

- Então Srta, gostou?

-Muito, ou melhor, foi... foi excelente! Quero dizer, ah! Desculpa, é que fiquei um pouco nervosa. Mas agora está tudo bem. Gabriela é... é...

- Ótima profissional, completou Pedro percebendo que Isadora, neste momento, não demonstrava aquela frieza que ele conheceu muito bem.   

Ela fez um sinal afirmativo com a cabeça. “Melhor não falar mais nada”, pensou.

Ela estava saindo, mas lembrou de outra coisa e voltou-se pra ele novamente e disse:

- Pedro queria te falar uma coisa. Desculpe-me se fui rude com você, naquele dia no banco. Não queria que se sentisse humilhado. Me desculpa? Falou com olhar sincero.

-  Olha, tudo bem tá? Você estava fazendo seu papel, entendo, embora não concorde, mas tudo bem. Falou e abriu um sorriso para ela, que retribuiu.

Elas voltaram para praia. Já passava das duas horas da tarde quando  decidiram almoçar.

Durante o almoço, Clarice observou a mudança repentina de Isadora, não estava entendendo os motivos.

- Não imaginei que fazer uma tatuagem te deixasse assim tão empolgada. Aliás, pelo que me lembro, até bem pouco tempo, você estava morrendo de medo.

- Clarice, existem coisas na vida que devem ser feitas sem medo, falou em tom de discurso. E riu.

- Nossa! Aquela menina é boa nisso. Não só convenceu você como deixou você deslumbrada, falou desconfiada.

- É, respondeu e pensou: “Ela é muito boa, não imagina o quanto”.

- Vai começar amanhã mesmo? Perguntou Clarice

- Ah? Ah, não sei, vou ver, vou ver.

- Eu venho com você.

-Não! Imagina, não faria isso com você. Ficar esperando por horas, nem pensar. Se vier, virei sozinha, ok? Disse Isadora com determinação.

- Você quem  sabe, mas, se mudar de idéia, é só me ligar.

Terminaram o almoço e Isadora convidou Clarice para ir embora, disse que estava cansada e queria descansar, apesar da contrariedade de Clarice, que queria ficar o restante da tarde na praia. Foram.

Assim que Isadora e Clarice saíram, Pedro retornou e encaminhou o rapaz que aguardava na recepção para o studio de Gabi. Antes de fechar a porta disse:

– Espero você pra almoçar, sem deixar de perceber o sorriso da irmã.

Gabi saiu correndo em direção a cozinha e encontrou Pedro colocando os pratos na mesa. Dona Ziza havia providenciado um farto almoço para os irmãos.

- Pedro, ERA ELA !!! Disse Gabi, assim que entrou com um sorriso que iluminou o ambiente.

Sem olhar para a irmã Pedro respondeu com voz pesada.

- Sim era.

De repente, se olharam confusos.

- Quem? Falaram juntos

- Eu que pergunto, de quem está falando? Disse Pedro

- Isadora? Demonstrando perplexidade. Você a conhece? Perguntou Gabi

- Claro, é aquelazinha do banco, Pedro disse contrariado e assustado.

Gabi se jogou na cadeira e deu uma gargalhada.

- Pedro Isadora, aquelazinha que você diz, é a mulher que te falei da boate.

-NÃO ACREDITO !

- hm... hmm!

- VOCÊ AGARROU A GERENTE DO BANCO ?

- Que isso!!!?  Você fala como se eu tivesse pulado em cima dela.

Desta vez foi Pedro que se jogou na cadeira.

- Tô embasbacado. Não tô acreditando. Ela é lésbica? Quem mais é, será?

- Eu também não acredito. ELA VEIO AQUI! Falou com os olhos brilhando, sem ouvir o que Pedro dizia.

Pedro percebendo o contentamento da irmã, sorriu e disse:

- E agora?Conversaram? Ou você agarrou ela de novo? Falou rindo.

- Marcamos de nos encontrar hoje, no bar da Ziza.

- Você é louca? Não tinha outro lugar?

- Ah! Nem pensei Pedro. Quando ela disse que me esperaria hoje à noite, nem lembrei disso. Mas não tem problema, pretendo levar ela em outro lugar mesmo. Se tudo correr bem, claro!

Pedro levantou e veio em direção à irmã, segurou seu rosto com as duas mãos e disse, olhando nos seus olhos:

- Maninha, cuidado, não quero vê-la sofrer. Vai com calma tá?

- Porque está dizendo isso Pedro?

Sem se afastar da irmã, falou.

- Por que seus olhos estão brilhando, falou e se afastou, deixando Gabi sem entender por que tanto receio, mas feliz .

Isadora conseguiu, depois de muito argumentar, se livrar de Clarice, que a todo custo queria sair com ela à noite. Teve que inventar dor de cabeça, cólicas e mais algumas dores. Clarice se convenceu e foi pra casa.

A tarde de Gabi foi movimentada. Muitos curiosos que estavam na praia aproveitavam para conhecer a loja e ver se tinham coragem. Outros mais decididos, marcaram hora para durante a semana. E dois que já haviam marcado hora antecipadamente. Uma moça, Bianca, fez uma águia em cima do pé; e Roberto, que queria um dragão chinês no braço, o qual Gabi demorou uma semana para fazer o desenho, pois Roberto queria algo exclusivo.

Naquele dia Gabi começou a fazer o contorno do enorme Dragão no braço de Roberto. Atendeu o último cliente e correu para seu quarto. “Banho”, pensou. “Será que ela já está lá?” Perguntou para si mesma. Estava ansiosa e insegura, como nunca esteve antes.

Aproximava-se das 19:00. Isadora saiu do banho e foi para o quarto escolher a roupa. Queria estar deslumbrante sem extravagâncias. Queria algo simples. Colocou um vestido branco curto, acima dos joelhos, com detalhes azuis, que faziam uma combinação perfeita com seus olhos e um decote generoso. O vestido caia sobre  seu corpo, dando sensação de leveza. Uma sandália baixa, prendeu os cabelos atrás, mas deixou alguns fios caindo. Brincos compridos com pedras azuis e um colar combinando com os brincos. Maquiagem leve. Por alguns instantes ficou olhando no espelho sua imagem refletida. “O que esta menina está fazendo comigo? Nunca agi desta forma, nem com Ana Paula. Mas com ela não consigo me controlar, quero tocá-la, sentir seu corpo, sua boca. Ahh! Isadora, para de pensar, não é hora de racionalizar, vai de uma vez”.

Gabi saiu do banho e ligou pra Marina. Contou os últimos acontecimentos e pediu energias positivas. A amiga ficou em êxtase, disse que torcia por ela e no final desejou uma ótima trepada, o que deixou Gabi brava, mas riram.

Gabi, antes de abrir a porta da rua, respirou fundo. “Será que ela já está lá? Não posso ficar nervosa, tenho que me controlar. Primeiro digo: Oi, tudo bem? Que coisa mais ridícula Gabi. Melhor deixar ela falar primeiro. Certo, estou calma. Calma!... calma!, não tenho porque ficar nervosa. Já aconteceu isso outras vezes. Suspiro, não, na verdade, nunca dessa forma, não... PUTA QUE PARIU !... melhor ir.”

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