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quarta-feira, 30 de maio de 2012

CAPÍTULO TREZE

A Vida Segue


O verão chegou ao fim e juntamente com a nova estação, Isadora tentava se refazer, aos poucos. Começou a aceitar os convites de Clarice para um chopp depois do Banco ou para sair à noite. Sentia-se como a própria Fênix, novamente renascida, embora sentisse uma saudade imensa de Gabi. Conseguia, aos poucos, se reerguer. Depois daquele dia na casa dela, não haviam mais se encontrado. Pensou que Gabi a procuraria, na verdade, esperou que isso ocorresse, mas não aconteceu, o que lhe deu a certeza de que Gabi jamais a perdoaria. Talvez nem ela se perdoasse pela atitude agressiva e pelas palavras duras que havia dito a Gabi, sentia-se envergonhada. Sabia que aquilo havia sido mais cruel do que o próprio tapa anterior.

Saiu do banco ao final da tarde e sentiu o vento frio que soprava. Apertou seus braços contra o corpo e foi até o estacionamento pegar seu carro. Estava abrindo a porta quando ouviu alguém chamar seu nome.

- Pedro, como vai?
- Oi Isa - chegou perto e a abraçou.
- Não apareceu mais no Banco, nem pro cafezinho, senti sua falta.
- É, eu sei, também senti, mas achei melhor dar um tempo, depois do que aconteceu com você e Gabi. Não queria forçar minha presença para você.

         “Você e Gabi” - quando ouviu essas palavras sentiu uma dor no peito.

- Claro, entendo - falou e abaixou os olhos.
- Quer tomar um café? - Perguntou.
- Adorei o convite, estou morrendo de frio, vamos sim.

         Procuraram um café e sentaram na parte interna, para evitar o vento.

- Me conta, o que tem feito? - Perguntou Pedro, enquanto colocava açúcar no café.
- Trabalho, só trabalho. E você? E Fernanda?
- O trabalho agora diminui, com o fim do verão. E Fernanda, bem... tudo igual - respondeu rindo.

         Conversaram sobre amenidades, sobre o tempo, sobre o Banco, mas Pedro percebeu que Isa estava querendo saber de outras coisas. Controlou-se, ia deixar que ela perguntasse, se tivesse vontade.

 - “E... e como... como ela está? - sem olhar para ele.

Silêncio.

- O que quer saber, Isa? - Falou objetivamente.

Isadora levantou os olhos e Pedro entendeu e falou:

- Gabi não fala sobre si, mas sei que está tentando... Tentando esquecer, recomeçar, acho que da mesma forma que você, não é? - Indagou curioso para saber a resposta dela.

Isadora suspirou.

- Não sei em que momento aconteceu o erro.
- No momento em que não conversaram, foi aí o erro - disse e se arrependeu. Continuou: - Desculpa.

         Isadora resolveu falar e queria ouvir o que Pedro diria.

- Pedro, Gabi estava com outra mulher, eu vi - falou baixinho.
- Você viu o que quis ver Isa, desculpa falar assim, mas estava na sua cabeça o trauma daquela outra e você generalizou os fatos. Gabi errou sim, mas não traiu você - falou firme.
- Quem era aquela mulher, Pedro? - Perguntou com pesar.
- Isso você devia ter perguntado pra Gabi. Se um dia ainda quiser saber, procure-a e pergunte.
- Não posso, não mais. Também fiz coisas horríveis a ela - Pedro viu os olhos de Isa encherem-se.
- Olha Isa, acho que vocês ainda podem resolver isso - olhou penalizado.

         Isa apertou suas mãos nas de Pedro e sorriu.

- Meu ex-cunhadinho, vamos embora, já te aluguei muito e quero que apareça no Banco para conversarmos, ok?

         Foram em direção aos seus carros, despediram-se com um abraço e foram embora.



         Gabi estava sentada na escada de sua casa, tirando de Xis um monte de espinhos que estavam em seu nariz.

- Como você consegue isso? Eu sei, eu sei, dói sim, mas você só se mete em encrenca. Não pode ver quatro patas passar rebolando que tem que ir atrás. Viu, acontece isso, se ferra todo.

         Não percebeu que o irmão se aproximava por trás, sentando-se ao seu lado.

- Dizem que os cães são iguais aos donos - falou e deu uma gargalhada.

         Gabi acompanhou a risada de Pedro.

- Como foi? Tudo certo?
- Sim, consegui abaixar o preço do carro e agora temos que esperar chegar. Talvez alguns dias, mas não tem problema. Você ficou tanto tempo sem carro. É, só mais alguns dias e estará poderosa dentro de sua Eco Sport.
- Tudo bem, já disse pra você que não queria. Mas já que não tenho opção... Tá frio aqui, vamos entrar, vou fazer um café, quer?
- Não, tomei no centro - ficou em duvida se contava com quem.
- Mas o meu é melhor - brincou.
- Com Isadora - falou rápido.

         Gabi virou-se pra ele e não falou nada.

- Você nunca fala sobre ela, Gabi. Sei que não a esqueceu, conheço você. Mas, às vezes, fica mais fácil se a gente fala.
- Chega Pedro, não quero saber o que falou com ela. Não quero saber como ela está. Se continua linda, se mudou a cor do cabelo, se falou de mim, não me fale nada de Isadora - deixou tudo em cima da pia e saiu em direção a seu quarto.

         “Putz... fiz merda” - pensou Pedro.




 
O inverno chegou chuvoso e muito frio, o vento sul era implacável. Pedro, Fernanda, Gabi e Marina estavam na sala sentados no tapete, próximo a lareira, que ardia aquecendo o ambiente. Tomavam vinho e jogavam general.

- Quem soma os pontos? - Perguntou Marina sabendo que tinha ganhado o jogo.     
- Não precisa né? - Falou Pedro com ar desapontado.
- Não tem graça, tem que somar sim, quero ser declarada vencedora oficialmente - insistiu Marina.

         Ninguém mais prestou atenção nela. Pedro havia sido puxado por Fernanda, para deitar-se ao seu lado, se beijavam. Gabi olhava as chamas completamente alheia a tudo. Marina desistiu.
- Gabi, amanhã é sábado. Podíamos ir à boate, o que acha?
- É. Podíamos, vamos, vai ser bom - respondeu tentando convencer a si mesma.
- E... E... Atenção! Tem mais uma coisa, Julia e Carla estão na cidade.

         Gabi riu da forma como Marina falou.

- Vai ser divertido ver isso - falou Gabi.
- É e também acho que você está precisando voltar a “arena” e sentir o “calor da batalha” - falou com uma seriedade falsa.
- Que coisa mais ridícula, Marina - Gabi falou dando gargalhadas.

         Marina começou a se mover em direção a Gabi de quatro, chegando quase em cima dela e soltando rugidos.

- As leoas estão famintas - continuou e soltou uma risada.
- Eram leões, Marina - completou sem parar de rir. - Que coisa mais idiota!

         Marina ficou feliz em ver Gabi assim, sentiu que a amiga estava se curando aos poucos.

6 comentários:

  1. Como sempre o tempo é o melhor mediador em certas situações.
    Wind, tô torcendo para elas se encontrarem na boate e tentarem uma reaproximação...please!!
    Tô curtindo muito seu conto, tá muito bom.
    Esta semana comemoramos o dia do Escritor,
    PARABÉNS... Escreves muito bem.
    Bjs,
    Rejane

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  2. Isadora fez besteira,agora tem que correr atrás do prejuízo.
    Adorando demais!!!!!

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  3. É acho que Isa que tem que correr a atrás da Gabi tbm pois Isadora não deu a Gabi o direito de uma explicação. Muito bom seu conto wind esperando pelo proximo...

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  4. Será que enfim chegou a hora do reencontro? Que seja na boate.
    Torcendo por esse casal e esperando o próximo capítulo.

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  5. Ai super anciosa pelo proximo capitulo, tbm quero que elas se reencontrem na boate hehe
    Bjs e parabens

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  6. Tô sentindo q esse reencontro delas está bem próximo!

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