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quarta-feira, 30 de maio de 2012

CAPÍTULO TRÊS


NO OUTRO DIA
Sexta-feira era um dos dias mais movimentados no Banco. Isadora chegou cedo, como sempre, embora não tenha dormido quase nada. Passou o dia analisando algumas empresas que teria que visitar na próxima semana. Precisava se concentrar no trabalho para esquecer o desastre da noite anterior. Atendeu alguns clientes, conversou com Clarice e Marta no almoço. Apesar de Isadora manter uma postura séria, Clarice mostrava-se cada vez mais cheia de sorrisos para ela. No final do expediente, foi pra casa, recusando alguns convites, inclusive de Clarice, para sair à noite. Mas combinaram de ir à praia; Clarice ligaria.

Em casa não conseguia parar de pensar: fui uma idiota em achar que ela voltaria lá por minha causa, nem conheço a menina. De onde será que vinha aquela hora, com certeza da cama de sua namorada. Ah Isadora, você é boba, parte pra outra. Tem a Clarice, ela é bonita, simpática, mas trabalha comigo, não dá. Vou à praia!  E, também, você chegou agora na cidade, não consegue se controlar? Não consegue ficar sem ninguém na sua cama. Isso, amanhã vou à praia. Faz uma semana que estou aqui e não tive tempo. Então será isso. Tenho que esquecer, vou esquecer muito fácil aqueles olhos que me incendiaram, aquele beijo que me deixou molhada, aquela língua deliciosa, aquelas mãos me prendendo, aquelas tatuagens no braço, na mão. COMO VOU ESQUECER !!!!

Gabi estava concentrada em seu trabalho. Terminava uma tattoo que havia começado há alguns dias: uma Deusa indiana que tomava as costas inteira de Bruno. Terminava o sombreamento.

- Que achou? Perguntou a Bruno enquanto este olhava pelos espelhos o trabalho em suas costas.
- Maravilhosa. Gabi você é ótima!!!
- Eu sei, falou rindo
- Agora preste atenção e começou a dar as recomendações de praxe: como usar a pomada, cuidado com o sol, etc., falava enquanto fazia o curativo. Depois saíram do studio.

Despediu-se de Bruno e foi falar com Marina, que a esperava sentada no balcão, apesar dos pedidos de Pedro para que descesse, pois ali não era lugar de sentar.

Quando viu Gabi deu um pulo e desceu.

- Terminou? Vamos dar uma volta? Perguntou Marina.
- Terminei agora. Até vou, mas antes vamos comer alguma coisa, depois saímos.
- Certo, concordou Marina.

Enquanto comiam torradas com geléia, Marina perguntou:

- Vamos voltar na boate hoje? Sexta feira é o melhor dia, vamos?
- Não, depois de ontem, nem pensar. Imaginei tudo, menos que ela saísse de lá com outra. Não quero passar por isso de novo, vou dar um tempo daquele lugar.
- Hoje tem a festa do Eduardo. Mas, já pensou que ela poderia estar te esperando e você não apareceu? E se era uma amiga?
- Agarrada nela daquele jeito? Não, elas estavam juntas, falou Gabi olhando pra baixo e balançando a cabeça.
- Então, vamos esquecer isso e partir pra outra. Daqui a pouco sua, aquela que eu não sei o que é sua, aparece e daí você esquece rapidinho. Aquela mulher que, por sinal, é linda, gostosa... e que olho né? Falou rindo da expressão de Gabi, que olhou pra ela com indignação.
- É, acho que preciso de Luiza, falou já se levantando.
- Quem sabe a festa do Eduardo? Vai ser na praia, vamos? Vai todo mundo.
- È, acho que é melhor. Vamos sim, mas agora quero dar um mergulho, vamos?
 
Gabriela e Marina desceram até a praia pelas escadas dos fundos de sua casa, que tinha acesso direto à areia. Caminharam até o mar. Gabi tirou a camiseta, a calça jeans. Estava de biquíni por baixo e se jogou na água. Nadou por alguns momentos, virou-se e ficou flutuando, olhando o céu que começava a dar os primeiros sinais da noite estrelada, que surgiria em poucos minutos.

Marina ficou sentada na areia observando sua amiga. Achava a água muito fria àquela hora do dia. As duas eram amigas desde a infância. Os pais de Marina se mudaram para aquela praia quando ela ainda era bebê, tinham a mesma idade e viveram juntas as diferentes etapas e descobertas da infância, adolescência e agora, juntas, aprendiam a ser adultas. Quando os pais dela morreram, foi Marina quem ajudou Gabi e ficou sempre ao seu lado. Os pais de Marina gostavam muito dela principalmente porque incentivava Marina a trabalhar no mercado que era de sua família. Marina fugia sempre que podia.

Ficou olhando sua amiga sair no mar e pensando que os Deuses tinham sido injustos. Como colocam uma super gata dessas na minha vida, sendo que o único sentimento que nos une é o fraternal. Via Gabi como uma irmã e Gabi da mesma forma. Se não fosse assim, hmmm! Riu do próprio pensamento.

Quando perceberam que o alvo dos seus desejos não eram os garotos sarados da praia e sim as meninas bronzeadas que desfilavam na areia, tiveram dúvidas sobre o que sentiam uma pela outra. Mas logo perceberam se tratar de amizade, segundo elas, a mais verdadeira amizade.

Gabi se aproximou de Marina e balançou os cabelos.

- Olha como a água tá uma delicia, falou assim que os primeiros pingos chegaram a Marina.
- Para com isso sua! sua!Falou levantando e saindo de perto de Gabi.
- Vamos, falou Gabi pegando suas roupas no chão.
- Não chega perto, caminha mais pra lá, falou Marina

Gabi ria de Marina. Caminharam na beira da praia em direção a casa de Gabi.

Algumas pessoas passavam por elas e viravam a cabeça para olhar, pois Gabi chamava atenção, não só pelo corpo bonito, bronzeado, mas, também, pelas tatuagens que cobriam seu corpo. Tinha na perna esquerda uma sereia em tons grafite que subia em direção ao joelho, pelo lado de fora. Abaixo do umbigo uma pequena flor em tons amarelo e vermelho, com as pétalas abertas e uma abelha pequena que se aproxima pronta para sugar o néctar. Nas costas, começando na parte de baixo, logo acima do biquíni, desenhos com formas orientais que subia pelas costelas fazendo curvas e entrelaçando-se terminando na nuca. No braço direito a face de uma gueixa, na mão direita, acima do polegar, uma cobra oriental, que se movimentava em direção aos dedos. Acima do seio esquerdo, pequenas labaredas que saiam de um sol incandescente. Na parte interna do braço esquerdo, as asas de um anjo. Todas elas feitas por mestres da tattoo. Cada uma tinha sua própria historia e foram feitas em virtude de algum momento de sua vida. Gabi tinha a intenção de aos poucos, preencher seu corpo. Marina também tinha uma tatuagem feita por Gabi: uma mulher exuberante, com lindos seios e cabelos negros caindo pelo colo, com um olhar sedutor, nas costas, do lado esquerdo próximo ao ombro.

Gabi entrou em casa e Marina seguiu para a sua. Combinaram de se encontrar direto na festa, que seria na mesma praia, porém, mais distante do movimento.
   
Marina chegou na festa procurando por Gabi. Deu uns beijinhos em alguns amigos, conversou com outros, passou a mão na bunda de Pedro, que dançava com Fernanda, até que encontrou Gabi conversando com duas meninas que estavam vidradas em tudo que ela dizia. Marina riu e pensou: “que poder”. Chegou perto e só pra provocar enlaçou Gabi pela cintura e puxou-a para si.

- Oi! Você está linda, falou olhando para Gabi, que vestia uma blusa regata curta de cor branca, que acentuava seu bronzeado, uma calça jeans cintura baixa e sandália de couro.

As meninas olharam uma para a outra e tentaram esboçar um sorriso para Marina, que se divertia com os olhares que a amiga recebia e fingia não ver.

- Marina, conhece a Julia e a Carla?”
- Não tive o prazer ainda, respondeu com malícia pra Julia.
- Elas vão ficar uns dias na ilha e querem uma dicas de melhores praias, bares.
- Olha.. se quiserem, posso ajudar, falou com o mesmo olhar e sorrindo.
- Seria ótimo conhecer Floripa com vocês, respondeu Julia, olhando para Marina com um sorriso demonstrando todas as péssimas intenções que tinha, o que fez Marina e Gabi se olharem. Se entendiam com o olhar.

Combinaram de marcar alguma coisa no fim de semana. Conversaram mais um pouco até que Bruno chamou Gabi para conversar com sua namorada. Queria convencê-la a fazer uma tatuagem. Outras pessoas se juntaram a eles e Gabi aproveitou para se afastar. Viu Marina, que fez sinal para que ela se aproximasse. Ainda conversava com Julia e Carla.

-Estávamos te esperando pra dar uma volta, falou Marina com o sorriso mais sacana que tinha.
- Então não precisam mais esperar, estou aqui! Disse e pensou: “quem sabe consigo tirar aquela mulher da minha cabeça”.
- Vamos até as pedras, vocês vão adorar, falou Marina olhando para as duas que eram só sorrisos.

Passaram pela festa e foram caminhando próximo a água em direção oposta às casas.

Carla se aproximou de Gabi e caminhou ao seu lado, fazendo perguntas sobre a praia, sobre o trabalho de Gabi, o que ela achou fascinante. Enquanto caminhava, de vez em quando, encostava seu braço no dela. Marina vinha mais atrás com Julia, rindo e fechando um baseado.

Carla era ruiva, cabelos crespos até o ombro. Pequena, tipo mignon, “muito gostosa”, segundo Marina no outro dia para Gabi.

Julia era morena, cabelos lisos compridos, que caiam pelos ombros e desciam até altura dos seios. Mais alta que Carla, seios grandes, “uma delicia”, segundo avaliação da mesma Marina.

Chegaram nas pedras. Carla e Julia ficaram deslumbradas. Acharam o lugar lindo. Sentaram na parte alta e olhavam as ondas baterem embaixo. A noite estava linda, estrelada e uma brisa suave soprava.

- Linda, falou Carla baixinho.
- A noite? Perguntou Gabi.
- Você, respondeu olhando fixamente para Gabi, já se aproximando de sua boca.

Gabi a recebeu e gostou. Virou-se de frente para ela e a segurou pela cintura, fazendo com que ela se deitasse sobre seu corpo. Gabi levantou o vestido de Carla e o tirou rapidamente, juntamente com a calcinha. Tinha urgência em livrar sua mente daquela mulher misteriosa. Esta era a oportunidade ideal. Teve tempo de ver Marina descendo para trás de umas pedras com Julia. Levantou seu corpo, trazendo Carla junto, no seu colo, de frente. Explorou, com as mãos, as costas, os seios. Carla tirou a blusa de Gabi, que estava com a boca na altura dos seios de Carla. Roçou seus lábios no biquinho excitado, puxou-a para si, passou a língua e sugou com vontade, primeiro um, demoradamente, depois o outro. Carla segurava os cabelos de Gabi e contorcia seu corpo de tesão, gemendo e cavalgando nos dedos de Gabi que, de olhos fechados, imaginava outra mulher em seus braços. Carla gemeu alto quando o máximo do prazer chegou.

Ficaram abraçadas por um tempo e Carla quis retribuir a Gabi o prazer que recebeu. Terminou de tirar a calça jeans de Gabi, a calcinha e fez com que ela deitasse em cima das roupas para não se machucar. Deliciou-se naquele corpo que desejou desde o inicio da festa. Primeiro sentiu com a mão o desejo de Gabi, enquanto beijava sua boca e descia para os seios. “E que seios!!!”, pensou, quando viu sua respiração acelerar. Falou baixinho em seu ouvido: “me dá agora !” e desceu com a língua, com a boca, sugou com vontade, até que recebeu todo o prazer de Gabi.

Ficaram deitadas olhando o céu estrelado e, ao longe, a brisa trazia sussurros e gemidos. Olharam-se e riram. Assim ficaram olhando o céu e pensando que poderiam ficar ali por toda eternidade.

Eternidade é um tempo definido somente por quem a pensa. Pode ser algo entre o nascer e o morrer; algo entre o morrer e o renascer muitas vezes; ou simplesmente o tempo suficiente para se recuperar de um gozo.

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