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quarta-feira, 30 de maio de 2012

CAPÍTULO QUATRO


UMA BELA SURPRESA

Isadora acordou com seu celular tocando. 
Quem é a essa hora? 
Nem sabia que horas eram, mas pelo sono que estava, achou que era muito cedo.

- Alô? - a voz quase não saiu.
- Acordei você? Sou eu, desculpa.
- Oi Clarice - suspirou. - Tudo bem...
- Vamos à praia? Viu que sol lindo?
- Achei que ainda tinha lua - respondeu contrariada.
- Temos que ir cedo, evitamos o trânsito. Não quer fazer sua tatuagem? Vou levá-la até lá. Que acha?
- Tá, tá... mas me dá um tempo. Você vem ou eu passo na sua casa?
- Passo aí em meia hora, beijo. - Desligou.
- MEIA HORA É POUCO! - Respondeu mas ninguém ouviu.

Gabi acordou cedo, foi ao mar, precisava de muita energia para encarar o dia cheio que teria. Voltou, tomou um banho e conversou com Pedro, enquanto tomavam café.

- Você e a Marina sumiram ontem - falou maliciosamente. - E aquelas meninas que conversavam com vocês também. Será que isto tem alguma ligação? Conta, vai... Que tal elas, hein? - Falou rindo.
- Pedro, as ligações que ocorreram entre um evento e o outro, ou seja, entre o desaparecimento meu e de Marina e de Julia e Carla dizem respeito somente aos seus atores, no caso, atrizes. Portanto, sem comentários. - falou sem olhar para Pedro.
- Julia e Carla... Hmmm! Podia ter resumido isso assim: sim pegamos elas e foi um tesão! - falou rindo.

Gabi foi em direção a Pedro, deu dois tapinhas na face do irmão e falou com um sorriso: “Homens...” e saiu pela porta deixando Pedro com cara de bobo e pensando: “que eu fiz? Só queria saber como elas são...”

No meio da manhã, quando teve um tempinho, Gabi foi até a cozinha. Encontrou Pedro comendo uma salada de frutas.
  
- Estava pensando em chamar mais alguém pra ajudar você, o que acha? O movimento aumentou. Você e Daniel não estão dando conta de tantos clientes
- Já pensou em alguém? - Perguntou.
- Já. O Julio, ele é excelente. E não está se dando bem onde está, ele já havia me falado que se precisássemos de ajuda neste verão viria.
- Acho ótimo, se ele está disponível, podemos tentar. Podemos arrumar a sala dos fundos para ele.
- Também pensei que poderia servir. Vou ligar pra ele hoje.
- Certo, faça isso. Sabe se tem mais alguém agora de manhã?
- Alguns, mas sabe que muitos vem por curiosidade. Daí simplesmente aparecem. Então acho que teremos o restante do dia cheio.
- Então vamos. - falou Gabi levantando e pegando uma maçã na fruteira.
- Gostei da disposição maninha! - falou Pedro, indo atrás da irmã.

Gabi precisava preencher sua mente, pois tinha percebido, depois da noite passada, que iria precisar de muitas outras iguais para apagar a imagem daquela mulher. E estava disposta a isso. Nada melhor do que Carla, sem maiores envolvimentos. Já que em breve ela voltaria para a sua cidade. Sem esquecer de Luiza que logo voltaria cheia de desejos. “Sim, porque não? Podem me usar, preciso de vocês!” Foi para o seu studio, onde uma garota já aguardava.

Pedro conversava com uma moça no balcão, quando olhou para as duas figuras que entravam na recepção. “Ora, ora, o que esta antipática quer?” Pensou, quando viu Isadora entrar acompanhada de Clarice. Não tinha percebido naquele dia no Banco. “Como é bonita essa cretina”. Vestia um vestido branco curtinho que deixava suas pernas à vista, com um decote que escondia um par de seios deslumbrantes. Estava de biquíni por baixo.

Balançou a cabeça, como se quisesse se livrar de pensamentos e se dirigiu a elas.

- Bom dia !

Isadora reconheceu o cliente que saiu em disparada do banco. Ficou tensa.

- Bom dia! - Responderam juntas.
- Posso ajudá-las? Ou estão apenas conhecendo nosso “singelo” negócio, perguntou sarcástico.

Isadora enrubesceu. Clarice não entendeu e falou:

- Minha amiga quer fazer uma tatuagem e como fiz a minha aqui, sei que é um dos melhores da cidade, por isso a trouxe.
- É, na verdade, ainda estou pensando. - falou olhando para Clarice e depois para Pedro, que a fitava com ar de poucos amigos, deixando-a sem jeito.
- Certo, não marcaram hora não é? Mesmo “singelos”, temos muito movimento. Portanto terão que esperar um pouquinho. Nossos artistas (chamava assim sua irmã e Daniel) estão com clientes. Mas assim que o primeiro terminar, serão atendidas. Falou com ar de deboche e se dirigiu para trás do balcão.
- Porque ele está falando assim com a gente? Que idiota. -  Perguntou Clarice para Isadora.
- Ele está usando a expressão que utilizei com ele no Banco. 
E contou baixinho para Clarice o episódio do banco.

Passou-se meia hora e elas estavam impacientes.

- Acho que voltamos outra hora, que acha Clarice?
-Não, vamos esperar mais um pouquinho. Quer fugir é? - Falou rindo.
- Na verdade não estou bem certa. Dói? - Perguntou suplicante.

Clarice riu e sentiu vontade de beijá-la naquele momento.

- Não, só o necessário. - brincou. - Pode fazer anestesia se quiser, sabia?
- Mesmo? - Perguntou espantada
- Claro, mas não precisa.

Mais quinze minutos e a porta da primeira sala se abriu. Passaram-se alguns minutos e saiu uma moça de biquíni, com um curativo acima do seio esquerdo. Dirigiu-se ao balcão, conversou com Pedro, fez o pagamento e saiu da loja.

Pedro foi em direção à sala de onde a moça saiu. A porta estava aberta. Saiu com um saquinho fechado que continha o material usado e se dirigiu para trás do balcão. Logo atrás dele saiu Gabi.

Passou rápido pela recepção sem olhar para o lado e foi até o balcão, ficou de costa para elas.

Isadora ficou sem ação, não conseguiu se mexer. Clarice se levantou e falou:

- É nossa vez agora? - Perguntou sorrindo,  já de pé.

Gabriela virou-se para a moça com um sorriso encantador.

- Claro!
Ao terminar de falar, sentiu o calor subir por seu corpo inteiro.

Pela quarta vez os olhares se encontraram.

Isadora conseguiu ficar de pé e viu no olhar de Gabi uma mistura de surpresa, calor e alegria transformar-se, rapidamente, em dúvida, expectativa, receio. “Como é linda!. Não me torture mais, encontrei você! Onde está o chão?”

Gabi olhou para o corpo daquela mulher e subiu para os olhos. “A ansiedade é azul”, pensou. “O que ela faz aqui? Com a namorada? Porque me olha assim?  Onde coloco minhas mãos? Está Linda!”

Novamente o tempo. Às vezes parece que para, às vezes voa, principalmente quando a próxima ação tem que ser sua. Como falar pela primeira vez em público, pela primeira vez  ligar o carro e colocar a marcha. Contar aos pais sobre sua namorada, ou simplesmente dizer “Oi”.  

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Parabéns pelo belo trabalho! Estou gostando muito!

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  3. Maravilhosa, você é muito talentosa e tem grande imaginação. Parabéns! Estou adorando!

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