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quarta-feira, 30 de maio de 2012

CAPÍTULO ONZE


Dúvidas e Certezas

Segunda-feira

- Isadora, tentei falar com você o fim de semana inteiro. Nossa! Que cara é essa?
- Ah, desculpa Clarice, mas agora não, tá?
- O que aconteceu? Foi com Gabi?
- Clarice, por favor...

         Quando ouviu o nome de Gabi, achou que ia começar a chorar.

- Tá, mas depois vamos conversar - e afastou-se.

         Isadora não percebeu quando o banco abriu e uma pessoa caminhou até sua mesa e sentou-se na sua frente. Foi quando levantou os olhos e a viu. Ficou gelada, estava linda, o olhar sem brilho, mas linda.

Silêncio.

         Gabi sentiu o olhar de decepção, mágoa e algo muito forte e intenso, que ela não conseguiu definir, talvez raiva ou pior.

         Isadora a fitou, esperando que ela falasse primeiro.

- Isa, precisamos conversar - falou baixinho.
- Não tenho mais nada para conversar com você, já disse tudo que tinha para te dizer, pode ir embora.
- Isa, por favor, me escuta, você entendeu tudo errado, Luiza era...
- Luiza?  Você tem coragem de vir aqui me falar dela? - Falou com voz baixa, mas de forma ameaçadora. - Entendi errado?  Qual parte? Aquela que ela passa a mão em você? Ou a parte que ela te abraça? Ou será o momento do beijo? - Terminou de falar, contendo as lagrimas que ameaçavam cair.

         “Não vou chorar”, tentou se controlar-se.

Silêncio...

         Gabi não se controlou, deixou as lagrimas caírem.

- Eu estava contando a ela sobre você e eu - falou quase num sussurro.
- Me poupe Gabi! E eu? Quando ia me contar de você e quando ia me contar que tinha outra? Você acha que sou como aquelas menininhas que você está acostumada? Você acha que sou idiota? - Falou mais alto.
- Você não sabe o que está dizendo, tudo que eu falar será... Será em vão. Acho que nesse momento você me odeia, não é? Falou com toda a tristeza estampada em seu olhar.
- Com todas as minhas forças - sentiu uma dor imensa ao dizer isso.

         Gabi olhou mais uma vez para aqueles olhos azuis, buscando ver algo que lhe desse alguma esperança, mas não encontrou.

- Desculpa, eu não devia ter vindo - e saiu.

         Isadora viu ela se afastar e não aguentou, deixou as lagrimas caírem. Clarice observava de longe, quando viu que Gabi saiu, aproximou-se da mesa de Isadora e disse bem próximo:

- Melhor sair daqui, vem... 

E saiu em direção aos fundos do Banco, por uma porta que dava acesso a um refeitório. Isadora a seguiu.

         Jogou-se numa das cadeiras, colocou as duas mãos no rosto e deixou que o choro explodisse.

- Tente se acalmar Isa - falou Clarice, passando a mão em seus cabelos.

         Depois de algum tempo Isadora conseguiu se controlar e foi para o banheiro tentar amenizar o estrago, com alguma maquiagem.

- Vamos sair para o almoço Isa. Saímos mais cedo, vou falar para o Gustavo cobrir você, ok? - falou Clarice, que esperou o sinal afirmativo que Isadora fez com a cabeça.

         Saíram e sentaram num café no calçadão. Isadora, mais calma, contou a Clarice tudo que havia acontecido.

- Ela merecia mais do que um tapa - falou no final do relato.
- Clarice, eu amo aquela menina, ainda bem que nunca disse isso a ela, mas eu a amo, o que eu vou fazer? - disse querendo uma resposta que Clarice não tinha.
- Isa, você tem certeza do que viu? Será que não era uma amiga, sei lá, você não deixou a menina explicar nada.
- Amigas não se olham daquela forma Clarice. Só se uma quiser comer a outra - falou rudemente.
- Nossa, você nunca falou assim. Calma Isa...
- Desculpa.

         Ficaram por mais uma hora e voltaram para o banco.
     

    Gabi saiu do Banco e foi ao encontro de Pedro, que a aguardava no Mercado Público. Quando se aproximou, viu o olhar apreensivo do irmão. Chegou perto e o abraçou.

- Pedro, acabou! Isa me odeia - conseguiu dizer.

         Ele passou a mão em seus cabelos, colocou-os para trás e puxou um banco para que ela sentasse.

- Eu fui muito imatura, infantil. Achei que conseguiria controlar as coisas, mas aprendi da pior forma que tem situações que extrapolam qualquer controle. Eu a magoei, ela nunca vai me perdoar.
- Dá um tempo pra ela, depois você a procura novamente. Daí quem sabe?

         Ficaram por mais algum tempo por ali. Alguns amigos os viram e se aproximaram, mas o olhar de Gabi para o irmão fez com que ele desse uma desculpa e a convidasse para ir embora.

         O tempo não pára, embora Gabi quisesse congelar a última noite que teve com Isadora. Lembrava do momento em que tirou sua blusa, bem devagar, prolongando ao máximo o momento. Passou as costas da mão no biquinho do seio, depois o segurou, enchendo sua mão como se segurasse uma preciosidade que pudesse quebrar. Assim, o levou até seus lábios, passou suavemente a língua, depois circulando, até que abriu sua boca e conduziu como queria. Sugou com vontade, depois o outro, até que Isadora a puxou, com o olhar suplicante, implorando para que Gabi a tomasse naquele momento e a fizesse sua mais uma vez.

- Não me torture assim, quero agora.

         Conduziu, empurrou suavemente Gabi para o meio de suas pernas, que explorou com a língua cada pedacinho daquele local venerado, até que Isa entregou a ela a recompensa.

         E os dias passavam. Gabi voltou ao trabalho e se dedicou a ele o máximo que pode. O tempo que tinha livre estava no mar ou caminhando na praia com Xis, que havia voltado para casa. De vez em quando ele sumia, ficava alguns dias fora e voltava quase sempre sujo e machucado. Gabi tratava das feridas, dava banho e comida. E assim passava seus dias, mas as noites eram seu martírio. Passava muitas vezes em claro, com Isa em sua mente. Imaginava como ela devia ter sofrido aquela tarde olhando-a com Luiza, tentava imaginar uma forma de trazê-la de volta, mas sabia que Isa não a ouviria, Isa a odiava.
        
         As lembranças tomavam conta de sua mente, sentia muita falta dela. Às vezes achava que seu coração doía e que seu corpo reclamava a ausência dos carinhos, dos beijos. Queria novamente aquele olhar que Isa lhe lançava sempre que estavam a sós em seu quarto e que a acendia imediatamente. A única pessoa com que conversava sobre o que sentia era com Marina, que estava sempre tentando, com todos os argumentos possíveis, tirar Gabi de casa, mas não tinha êxito. Porém, não desistia da amiga.

         Domingo de manhã acordou disposta e saiu para caminhar com Xis. Quando voltou, encontrou Pedro arrumando sua mochila. Gabi já sabia que ele iria acampar com Fernanda.

- Gabi, estou indo e volto amanhã, você vai ficar bem?
- Claro, vai tranquilo e divirta-se.
- Quem sabe convida Marina pra dormir com você?
- Nem pensar. Marina vai sair hoje e prefiro ficar sozinha.

         Pedro suspirou e beijou a irmã, saiu pela porta da cozinha com a mochila nas costas.

         Gabi foi para seu quarto, deitou na cama e ficou olhando o teto. Rapidamente as lágrimas vieram. Era sempre assim, nas últimas semanas. Pensava em procurar Isa mas, ao mesmo tempo, se lembrava daquele ódio que viu em seu olhar e desistia. Não iria suportar isso outra vez, lembrou-se das vezes em que fizeram amor naquela cama, sentiu uma vontade enorme de Isa, ficou por um longo tempo assim.

         À tarde, Marina passou em sua casa. Haviam combinado de dar uma volta na praia com Carla e Júlia, para despedirem-se, pois elas iriam voltar para sua cidade.


         Isadora passou seus dias dedicada ao trabalho e fugindo de Clarice, que insistia em querer sair com ela. Às vezes convidava Clarice para ir a sua casa, gostava de sua companhia, mas tinha medo que Clarice confundisse as coisas. Não queria se envolver com ninguém tão cedo.

         Sentia muita falta de Gabi, à noite ficava sempre em seu apartamento sozinha. Às vezes pegava algum filme, tomava um vinho e quase sempre adormecia na sala abraçada ao travesseiro que Gabi dormia, quando estava com ela. Muitas vezes acordava no meio da noite e chorava de saudade de sua menina. Queria vê-la, nem que fosse de longe, mas lembrava daquele filme que estava gravado em sua mente: aquela mulher loura, Gabi sorrindo para ela, abraços, beijos e um tapa, daí desistia.

         No domingo, acordou molhada de desejo, sabia o que seu corpo queria. Resolveu que naquela tarde iria até a praia, sabia que poderia encontrá-la e precisava vê-la. Ficaria à distância, não chegaria perto, não queria que Gabi a visse tão frágil.

2 comentários:

  1. Ansiosa a espera do próximo capítulo.

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  2. A cada capítulo uma emoção a mais...para o meu coração.

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