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quarta-feira, 30 de maio de 2012

CAPÍTULO OITO



As Armações do Destino

Isadora passou em seu apartamento, tomou um banho rápido, pegou as roupas para trabalhar no outro dia e saiu. O movimento naquela hora do dia era intenso e o trânsito lento. Estava absorta em seus pensamentos, quando ouviu o celular chamar. Estacionou o carro no acostamento. Quando viu o número, ficou em dúvida se queria atender, mas decidiu enfrentar.

- Oi.
- Meu amor, sou eu.
- Tudo bem, Ana Paula?
- Mais ou menos. Estou com saudades de você.

         “Droga”, o que ela quer agora?”

- Ana Paula, agora não posso falar com você, estou no trânsito. Me liga amanhã, pode ser?
- Isa, quero ver você, preciso te falar algumas coisas.

         Silêncio.

- Pra que ? - Falou de forma rude.
- Precisamos conversar e sinto sua falta. Errei muito com você. - falou com a voz embargada.

         Silêncio.

         “Essa agora!!!”

- Ana Paula, é tarde para você me dizer isso. Onde está a sua namorada?
- Não estamos mais juntas. Porque você diz que é tarde? Você tem alguém?
- Porque é, Ana Paula, desde aquele dia que pediu que eu saísse de sua vida, que a deixasse em paz, lembra? Ficou tarde e agora preciso desligar, ok? Tenho compromisso, tchau, Ana Paula.
- Isa, espera!... 

Silêncio.

- Eu te amo!
- Tchau, Ana Paula. - desligou.

         Apoiou sua testa no volante do carro e sentiu as lágrimas caírem.

         “Eu não acredito. Será que ela pensa que eu a aceitaria de volta depois de tudo que fez? Não, agora não, Ana Paula. Estou me curando de você e o antídoto é uma delicia, que neste momento está me esperando, não quero desapontá-la”.

         Secou as lágrimas, olhou-se no espelho, abanou os olhos com as mãos, ligou o carro e seguiu.


         Gabi conversava com Marina, na frente de sua casa, enquanto esperava Isadora. Estavam sentadas no meio fio da calçada.

- Não imagina o sufoco que passei com aquelas duas.
- Imagino... E você deve ter odiado, não é? - Falou com deboche para Marina.
- Depois que convenci Carla que você estava em outra, ela resolveu mudar o foco... - riu maliciosamente.
- Sei... E...
- Foi ótimo! - Falou bem baixinho, próximo no ouvido de Gabi.
- Você, hein? As duas, juntas? - Perguntou Gabi, com espanto.
- Hmm hmm - falou mordendo os lábios e balançando a cabeça afirmativamente.  

         Gabi deu uma gargalhada e Marina deu um tapa no braço da amiga.

- Para de rir. Sempre quis fazer isso, não perdi a oportunidade. Desde que você me contou daquelas duas que vo... - Não terminou a frase, Gabi a interrompeu.

- Shhh!!!! Olha a Isa aí. Além do mais, isso faz muito tempo, chega dessa conversa. - falou já se levantando para encontrar Isa, que neste momento fechava o carro.

         Foi a vez de Marina dar uma gargalhada.

Gabi apresentou Marina para Isadora. Conversaram um pouco, riram juntas, lembrando da situação na boate, na qual Marina quase apanhou. Despediram-se de Marina, que foi para casa... pensando na felicidade da amiga. Mas logo voltou a lembrar de Julia e Carla.

Gabi e Isa foram direto para o quarto de Gabi e só saíram no outro dia.

O restante da semana aconteceu o mesmo. Isa saia do banco e corria para a casa de Gabi, que a esperava. Combinaram que no final de semana iriam para o apartamento de Isadora, que Gabi ainda não conhecia.

No sábado, Gabi terminou com o último cliente e foi rapidamente se aprontar para encontrar Isa em seu apartamento. Pedro a levou. No caminho, o irmão tocou num assunto que Gabi evitava nos últimos dias.

- Quando você vai falar pra ela?
- Assim que ela entrar em contato, estou esperando.
- “Não Gabi, estou falando de Isadora. Quando vai falar?”
- Não sei se vou. Fico com receio, ela pode não entender. Acho que não tô preparada pra correr esse risco.
- Gabi, se ela realmente quer ficar com você vai entender sim. Mesmo porque, você vai resolver o assunto, não vai?
- Claro, assim que conseguir.
- E se ela aparecer sem avisar e Isa estiver em casa com você? Como vai ser?
- Ela sempre me liga antes. Luiza é muito cuidadosa, não gosta de causar problemas. Como ficamos, às vezes, muito tempo sem nos falar, ela não apareceria sem avisar. - falou com certeza absoluta do que dizia.
- Certo, você deve saber o que faz. Chegamos? É aqui?
- É... o prédio é este.

         Despediram-se com um beijo e Gabi saiu do carro carregando sua mochila.

         Isadora abriu a porta do apartamento e puxou Gabi para dentro, dando-lhe um beijo demorado. Estava com os cabelos molhados e vestia somente uma camiseta grande, despertando em Gabi uma vontade enorme de agarrá-la.  Isa olhou com carinho para Gabi e falou no seu ouvido de forma sensual, deixando Gabi mais excitada:

- A casa é sua.
- E a dona também? - Perguntou Gabi da mesma forma.
- Hmm  hmm...
- Vem, quero te mostrar. - pegou Gabi pela mão e mostrou cada ambiente.
- É bem pequeno, mas não preciso de mais espaço. E a localização é ótima, perto do banco, do centro e o acesso é fácil para praia ou para o continente. Então, gostou?
- Claro, é ótimo. - E puxou Isa para si, beijando seu pescoço e passando as mãos nas suas costas e nádegas.
- Isso é saudade? - Perguntou Isa.
- Vontade de você - respondeu procurando sua boca.
- Então vem... - puxou Gabi para o quarto.

         Passaram o restante do sábado e todo domingo no apartamento. Assistiram alguns filmes que Isa havia locado, conversaram. Isa contou a Gabi sobre Ana Paula. Gabi ouviu tudo com muito interesse e preocupação. Só não gostou da parte em que a Ana Paula ligou para Isa.

- Você não precisa se preocupar, Ana Paula é passado. Agora estamos juntas e adoro estar com você, quero estar com você e não quero que nada atrapalhe isso. Por isso te contei. Quero que nossa relação seja baseada na sinceridade, desde o inicio. Não quero repetir os erros que cometi com Ana Paula, quero que com a gente seja diferente, quero que confie em mim e quero confiar em você. - falou tentando amenizar.

         Quando Isa terminou a frase, Gabi sentiu um frio percorrer suas costas, mas não teve coragem de falar sobre Luiza, por que era algo que ainda não havia resolvido. Talvez Isa não entendesse. Quem sabe depois que conseguisse esclarecer as coisas com Luiza. Agora não, decidiu.

- Tá certo Isa, e se ela vier atrás de você?
- Vou dizer a ela o que disse para você agora. Não quero que fique insegura, meu anjo.

         Terminou a frase e deu-lhe um beijo, que demonstrou toda a certeza que tinha. Fez Gabi esquecer.

         Algumas semanas depois...

         Isadora saiu do Banco na sexta-feira, ao meio dia. Tiraria a tarde de folga, havia solicitado a Marco Aurélio, que prontamente atendeu seu pedido. Uma forma de compensar toda dedicação que a nova gerente demonstrava ao trabalho. Havia combinado com Gabi de encontrá-la somente à noite, mas resolveu ir mais cedo. Assim, enquanto Gabi terminava seu trabalho, ela aproveitaria a tarde para pegar um sol e caminhar na praia. Resolveu ir sem avisar. Iria fazer uma surpresa. Mas antes de chegar na porta do Banco Clarice a chamou.

- Isa, você vai pra casa?
- Agora vou, mas depois vou encontrar Gabi, por quê?
- Ia convidar você para um chopinho no final do dia. Afinal, faz quase um mês que não fazemos mais isso. Desde que começou a namorar você me abandonou. - falou com ar desapontado e teve o cuidado para ninguém ouvir o que dizia.
- Não abandonei, Clarice. Vamos combinar algo. Podemos ir à boate amanhã, o que acha? Gabi já está me convidando para voltar lá há pelo menos duas semanas, quer?
- “Hmmm... segurar vela, não sei se quero.
- Convidamos mais alguém, alguma amigas sua ou de Gabi, o que acha? - Falou com um sorrisinho sacana
- Sei bem qual é sua intenção. Vamos ver, me liga se forem. Vai logo, vai.
- Tchau.

         Quando estava saindo seu celular chamou. 

          
      Gabi estava concentrada sobre a perna de uma menina, desenhando um enorme Cavalo Alado, quando seu celular tocou.

- Putz, esqueci de desligar.
- Descanse um pouco Milena, vou atender.

         Olhou o número e gelou.

- Oi.
- Oi minha menina linda, estou morrendo de saudades de você. Cheguei a pouco e quero vê-la. - falou rapidamente.

         Gabi respirou fundo: “vamos lá”

- Luiza... Precisamos conversar.
- Ihhh!!!!, o que houve?

         Gabi não podia falar por telefone, dava a impressão de que estava a dispensando... “mas estava mesmo, mas não assim, Luiza não merece.”

- Não posso falar agora, falou baixo.
- Posso ir aí?

Silêncio.

         “Aqui, ah! meu Deus, o que eu faço? “Mas também não posso sair agora, quer resolver ou não, Gabi? Acaba logo com isso!”

- Você vem agora? - Perguntou com receio.
- Sim, posso ir hoje à tarde.
- Certo, te espero.

         “Pronto, acho que é melhor. Isa só vem à noite. Antes disso, resolvo tudo com Luiza e me livro desse peso na consciência”

         Pediu mais um minutinho para Milena e saiu do studio. “Preciso ligar pra Isadora.”

- Isa?
- Oi meu anjo - atendeu descendo as escadas do banco.
- Que barulho, está onde?
         Isadora pensou antes de responder, não queria dizer que estava indo pra lá. Se dissesse a Gabi que estava a caminho, ela acabaria desmarcando clientes para ir à praia com ela e Isa não queria isso, não queria atrapalhar o trabalho de Gabi.

- Estou indo almoçar, que bom que ligou.
- É que, escuta, você vem que horas?
- Saudades?
- Também minha linda, mas é que tenho um cliente que deve sair daqui um pouco mais tarde. Então, não quero que fique sozinha me esperando. Quero ter certeza que estarei livre pra você quando chegar. - falou convincentemente.
- Não se preocupe, saio do banco, passo em casa e vou mais tarde. Dai também me livro do trânsito, tá bom assim?
- Fico mais tranquila, porque quando sei que está no meu quarto me esperando, não consigo fazer mais nada certo, falou com sinceridade.

         Isadora riu...

- Um beijo, até daqui a pouco.
- Outro, até.

         “Melhor ela não saber que estou indo pra lá, vou para a praia direto e mais tarde apareço.”

         “Certo, melhor assim, fico mais tranquila. Sei que ela não vai aparecer cedo e com Luiza vai ser rápido.”

         Olhou o relógio e antes de voltar ao studio, foi até o balcão e viu Pedro que a olhava com ar de desaprovação.

- Nem vem, tô fazendo o melhor que posso.
- Não, você pode fazer melhor que isso.
- Pedro, não posso contar pra Isa, agora não. Se tivesse que ter contado, teria que ter sido bem antes. Agora ela não entenderia mesmo. Assim que Luiza chegar saio. Você segura aqui pra mim, né?
- Fazer o que, claro! - falou Pedro preocupado, pois tinha aprendido a gostar de Isa e, principalmente, gostava das duas juntas. Queria que continuassem assim.

         Gabi voltou para o studio, mas não conseguiu mais se concentrar.

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