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quarta-feira, 30 de maio de 2012

CAPÍTULO NOVE

Decepções

          Isadora passou em casa, pegou algumas roupas para o fim de semana, pois ficaria com Gabi. Havia combinado com Pedro que o ajudaria no sábado, estavam se dando muito bem, depois daquele episódio desastroso. Diversas vezes Pedro ia ao Banco, às vezes, só pra tomar um café com Isa, que adorava conversar com o “cunhado”, como o chamava. Pedro, temporariamente, havia desistido do empréstimo. Dirigia pensando em como as últimas semanas tinham sido maravilhosas. Quando dormia com Gabi, na casa dela ou no apartamento, era divino, fabuloso. Quando não podiam, sentia muita falta dela na cama. Com a chegada do verão e dos turistas, Gabi, às vezes, marcava clientes à noite e Isadora ficava em seu apartamento.
        
         Estacionou seu carro um pouco antes da casa de Gabi, iria direto para a praia. Retirou do carro uma toalha, fechou-o e caminhou por um acesso lateral, que conduzia a praia. Não passou na frente da casa de Gabi. Chegou na areia e procurou um lugar não muito distante. Mesmo tendo bastante gente naquele local, resolveu ficar por ali, assim era possível visualizar bem a escada dos fundos da casa de Gabi. Sabia que ela viria dar um mergulho quando terminasse seu trabalho e daí Isadora faria uma surpresa a ela.

         Gabi estava preocupada e ansiosa: “Porque ela não vem logo?”, perguntou duas vezes para o irmão. Luiza chegou quase no final da tarde.

         Pedro viu a mulher loura entrar na loja, respirou fundo e se dirigiu a ela:

- Olá Luiza, tudo bem?
- Oi meu querido, tudo ótimo por aqui? Sentiram saudades?
- Muuuuitas!!! - falou zombando dela.

         Nunca se deram muito bem, Pedro não gostava do envolvimento de Gabi com ela; na verdade não gostava de Luiza.

- Sua irmãzinha está? - Perguntou sorrindo
- Aguarde um pouquinho. Daqui a pouco ela termina e estará livre... “Livre de você” - pensou Pedro.
- Ok, vou aguardar sim, obrigada.

          Sentou-se na recepção e pegou uma revista qualquer: “Por que ele não disse para eu esperar lá dentro da casa, como sempre? Não é bom sinal” - pensava.

         Pedro voltou para trás do balcão preocupado. “Não vou mandá-la entrar, melhor esperar aqui.”

         Gabi abriu a porta do studio e saiu junto com o rapaz que estava com ela. Viu Luiza naquele momento e ficou nervosa, muito nervosa. Lançou um olhar para Pedro, que entendeu e respondeu também com o olhar: “Boa sorte!”

- Tudo bem Gabi? - Perguntou Luiza se levantando e vindo em direção a ela.

         Deu-lhe um beijo na face e um abraço, percebeu que Gabi a abraçou, mas sem a intensidade habitual.

- Tudo bem Luiza, vem, vamos entrar - convidou já caminhando em direção à porta que dava acesso à sua casa.

         Gabi foi direto para a cozinha com Luiza atrás, pegou um copo, serviu de água. “Vou direto ao assunto, assim termina logo.”

- Quer tomar algo? - Perguntou.

         Luiza a segurou por trás e deu-lhe um abraço.

- Quero... - respondeu cheia de intenções.

         Gabi saiu do abraço e virou-se para Luiza.

- Precisamos conversar, quero te contar algumas coisas.

         Luiza suspirou. “Sabia que esse dia chegaria, mas já?”

- Certo, sou toda ouvidos para você, mas o que acha de conversamos na praia? Damos um mergulho, como você gosta, daí conversamos. Estou louca para sentir esse mar, sinto falta.
- Pode ser, vai ser bom - respondeu Gabi, pois seria até bom tirá-la dali. 

         Saíram pela porta da cozinha, Xis pulou nas pernas de Luiza, que tentou afastá-lo. “Não gosto deste cachorro”, pensou. Desceram as escadas que davam acesso à praia. Foram em direção ao mar e pararam um pouco antes, para tirar as roupas, já estavam de biquíni por baixo. Para Gabi isso era um hábito e Luiza sempre fazia isso quando chegava. Ficaram por alguns minutos na água, Luiza tentou fazer uma leitura daquele olhar e não gostou do que viu. Gabi a convidou para sair, no momento em que Luiza se aproximou para se encostar nela.

- Que pressa! - falou Luiza
- Não, é que... que tenho que voltar para o studio, preciso conversar com você antes.
- Tá certo, tá certo, vamos lá, vamos sentar na escadaria da sua casa. Assim pego um pouco de sol, pode ser?
- Claro.

         Luiza sentou num degrau acima de Gabi, ao seu lado. Olhou para ela, os cabelos molhados caíam sobre seu rosto e Luiza retirou-os com sua mão, o que fez com que Gabi olhasse para ela. Luiza passou a mão em seu rosto com carinho.

- Então? - Perguntou.
- Luiza, aconteceram algumas coisas comigo, nesses últimos dias, conheci uma pessoa - resolveu ir direto ao assunto.
- Já esperava que fosse isso - falou olhando para Gabi com um olhar carinhoso.

         Passou novamente a mão em seu rosto com todo cuidado.

- Quem é a mulher que te encantou dessa forma e tirou você de mim? - Perguntou brincando e sorrindo para Gabi.
- Me apaixonei Luiza, queria que você soubesse, não posso mais continuar.
- Eu sei minha menina, sabia que se um dia isso acontecesse, seria assim. Não se preocupe, vou sentir muito sua falta, mas se você está feliz, fico feliz também - falou puxando Gabi e dando-lhe um abraço.
        
         Beijou sua testa e a olhou nos olhos.

- Quero, do fundo do meu coração, que seja muito feliz com esta cretina - disse, tirando uma risada de Gabi.
- Não fala assim, ela é maravilhosa - e sorriu.
- Agora quero um suco e tenho algumas coisas para pegar, não é? Vamos?”

         Levantaram-se e subiram as escadas. Luiza abraçou Gabi pela cintura e entraram na casa.

         Ficaram mais algum tempo na cozinha, brincaram sobre a nova situação de Gabi. Luiza colocou sua roupa, tomaram suco, Gabi foi até seu quarto e pegou uma sacola, onde já havia colocado algumas roupas que Luiza havia deixado ali e entregou para ela.

- Ok menina, vou embora, quero chegar em casa, tomar um banho e descansar um pouco da viagem. E também já é tarde.

         Saíram pela cozinha, mas fizeram a volta pela varanda, para descerem pelas escadas da frente, que dava acesso à rua. Antes de entrar no carro, Luiza deu um forte abraço em Gabi, que correspondeu. Olhou em seus olhos, deu um selinho e disse:

- Seja feliz, minha garotinha linda e muito gostosa.

         Entrou no carro e saiu.

         Gabi ficou olhando o BMW prata se afastar. “Deus, obrigada!”. Ao terminar o pensamento, fixou os olhos num carro estacionado um pouco mais à frente. Percebeu a tensão tomar conta de seu corpo e sentiu as suas costas queimarem. Virou-se, com medo do que veria. Não quis acreditar quando enxergou Isadora parada na frente de sua casa, a poucos metros dela, com um olhar que lançava raios em sua direção. Sentiu-se como num barco à deriva, sendo castigada por Netuno. Aquele mar calmo e tranquilo que conhecia, transformou-se em fúria.

         Isadora caminhou em sua direção, sem saber se suas pernas se moviam.

-Isa! - foi o que Gabi disse, antes de sentir sua face arder e ser jogada para o lado.

         Não caiu porque segurou no muro.

- Era essa a cliente que tinha?!! - Isadora esbravejou tomada pela raiva. – Ela deve pagar bem, não é ???? Agora sei quais são os clientes que atende à noite!!!!!! - completou, sem se importar com as lágrimas que escorriam em seu rosto vermelho tomado pela  cólera.

         Estava cega de raiva, sentia-se traída, humilhada e rejeitada, novamente.  

- Por favor... Isa me ouv...

         Gabi tentou falar, segurando com a palma da mão a face que queimava, sentindo as lágrimas descerem.

- Não quero ver você nunca mais, você foi a pior coisa que aconteceu na minha vida!!!!!!

         Terminou de falar e passou por Gabi a empurrando.

- Espera!!! - Gabi falou, tentando se colocar na sua frente, mas foi empurrada.
         Isadora caminhou até seu carro e entrou, sem mais olhar para Gabi, que ficou parada olhando o amor de sua vida ir embora. Deixou-se cair no meio fio e ficou ali sentada, com as lágrimas caindo em abundância, sem se preocupar com alguns olhares curiosos de pessoas que passavam.

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