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quarta-feira, 30 de maio de 2012

CAPÍTULO DOZE

Desejos


         Isadora chegou à praia já passava das quatro. Deixou seu carro uma rua antes da casa de Gabi e foi a pé até a praia, pela rua de trás. Não queria correr o risco de ser vista. Escolheu um lugar próximo à casa de Gabi e se misturou às pessoas que estavam na areia. Abriu sua toalha, sentou e pegou um livro, mas não conseguiu ler nem uma linha. Viu Gabi saindo de sua casa com Marina.

         “Preciso me controlar, ela está linda. Minha menina linda, que vontade de agarrá-la, beijar, tocar seu corpo. Porque você fez isso comigo?”

         Viu quando elas encontraram duas meninas que estavam na praia, foram até o mar. Só Gabi entrou, as outras três sentaram na areia. 

“Que vontade de entrar no mar com ela”. 

Lembrou-se das vezes que fizeram isso e das coisas que faziam embaixo da água, estava totalmente excitada. Viu Gabi sair do mar e sentar com as três. 

“Será que ela está com alguma daquelas meninas?” 

Começou a ficar com raiva daquela situação. 

“Não duvido nada”

Estava enlouquecida de ciúmes. As lembranças daquele dia estavam vivas em sua memória: aquela mulher loura a tocando, beijando, beijando sua menina. Naquele dia teve vontade de ir lá e arrancar aquela mulher do lado dela, mas não fez, estava sentindo o mesmo agora. Queria tirar Gabi dali, mas também não o fez. Ficou observando e se torturando.

         Não demorou muito, Gabi deu um beijo em cada uma, na face, e se dirigiu a sua casa. Isa ficou observando ela caminhar, cada passo, cada movimento de pernas, braços. O cabelo molhado, solto, voando em direção ao rosto. Ela o retirou com as mãos, foi até a ducha, a água tocando seu corpo... 
Tentou se transportar para as gotas que escorriam por todo seu corpo. Acompanhou o momento em que arrumou o biquíni primeiro na frente, afastando um pouco da virilha. Passou os dedos pela parte interna, acompanhando a costura. Depois atrás, deu uma puxadinha para esticar a minúscula peça nas nádegas. Subiu as escadas e sumiu fechando a porta. Isadora ficou ali, extasiada, molhada, embriagada daquela visão.

         Resolveu embriagar-se mesmo. Levantou, pegou suas coisas e foi em direção ao bar que ficava próximo ao local onde ela estava, na areia. Sentou embaixo do guarda sol e pediu uma caipirinha. Sem demora, começou uma roda de samba e Isa resolveu ficar mais um pouco, pediu outra.

         A tarde cedeu o lugar à noite, que surgiu esplendorosa, estrelada, lua cheia. Isa estava na quarta caipirinha. Já havia dançado, conversado. Sentia-se alcoolizada, precisava se recuperar para poder ir pra casa. Decidiu entrar no mar. Um mergulho, segundo Gabi, cura tudo. 

“Até o amor? Será?”

         A água estava quente. Isadora ficou por um longo tempo dentro da água, olhando para a casa de Gabi. Via luzes em praticamente toda a casa: na cozinha, no quarto de Gabi, na sala. Resolveu sair, pegou suas coisas, foi até a ducha, tirou a areia, secou-se, colocou o vestido e, ao invés de ir em direção a rua que estava seu carro, caminhou em direção a casa de Gabi. Subiu as escadas, ouviu por alguns segundos e bateu na porta.



         Depois de se despedir de Julia, Karla e Marina, Gabi foi para casa. Tomou um banho demorado, foi para a cama e dormiu, não soube por quanto tempo. Acordou com fome, já estava escuro e, como estava sozinha, acendeu todas as luzes da casa. Sempre fazia isso, dizia que não tinha medo, mas no fundo, lá no fundo, tinha sim, mas não queria pensar sobre isso. Tinha locado alguns filmes e decidiu descongelar uma lasanha, um dos pratos que Ziza mandava para os irmãos.

         Estava na cozinha esperando o microondas desligar, quando ouviu batidas na porta. Ficou um pouco assustada, não estava esperando ninguém. Mas caminhou em direção à porta e pensou que poderia ser Marina, com mais argumentos para tirá-la de casa. Abriu.

- Isa!!??

         Um, dois, três... Contou até dez mentalmente. Gabi a olhava assustada, mas Isa viu algo brilhante aparecer naqueles olhos. 

“O que estou fazendo aqui?”

         Entrou e pegou Gabi pela cintura, enquanto fechava a porta atrás de si. Beijou-a com desespero, com desejo, com vontade de fazê-la saber que pertencia a ela. Queria senti-la, com voracidade explorou sua boca. Puxava-a pela nuca, pela cintura. Gabi deixou-se beijar, correspondia ao toque que tanto tinha desejado sentir novamente. Mas percebeu a agressividade que acompanhava cada gesto. Tentou se afastar, percebeu que Isa havia bebido. Tentou sair daquele abraço, queria olhá-la, mas Isa a apertava. À medida que Gabi resistia, aumentava, também, a pressão de Isa. Cada vez mais, buscando sua boca, seu pescoço. Gabi tentou segurar suas mãos, mas Isa foi mais rápida e segurou Gabi pelos pulsos a apertando.

- Vo... Vo... Você está me... Me  machucando - tentou dizer.

- Isso não é nada perto do que fez comigo - respondeu Isa ferozmente.

         Empurrou Gabi até a mesa e pressionou seu corpo contra ela.

- Não se preocupe, é só sexo casual, sem compromisso! - bufou Isa.

         Neste momento, Gabi conseguiu se soltar das mãos de Isa e a empurrou com força, jogando Isa para trás. Isa gritou em desespero:

- Eu pago! Quanto? - Queria feri-la pela rejeição.

         Viu a expressão de Gabi se transformar. Gabi a fuzilou, o brilho que tinha visto antes, se apagou.

         Gabi não acreditou no que tinha acabado de ouvir.

- Sai da minha casa, AGORA!!!! - gritou, enquanto as lágrimas caiam.

         Viu nos olhos de Isadora uma mistura de emoções que não conseguia definir: mágoa, desejo e algo muito forte, intenso... Ódio?

         Isadora abriu a porta, olhou novamente para Gabi, na esperança de ver em seus olhos o mesmo brilho que viu quando ela chegou, mas não encontrou e saiu.

         Gabi bateu a porta com a toda a força que tinha. Deixou-se cair no chão de joelhos, não acreditava no que tinha acontecido. 

“Porque ela veio aqui?” - perguntou-se, sentindo-se humilhada. Mas logo seu pensamento se transformou. - “Ela bebeu, não devia ter deixado sair assim. Fui estúpida, se acontecer alguma coisa a ela não vou me perdoar”.

         Levantou, abriu a porta e correu. Olhou para a areia, estava escuro demais. Desceu as escadas, caminhou um pouco, mas não conseguiu vê-la. Voltou e fez a volta pela frente da casa, não a viu, nem o carro. Voltou pra casa.



         Isadora chegou em casa, ligou o chuveiro e entrou embaixo, com a roupa que estava. Sentou-se no chão, apoiou suas costas na parede e ficou olhando para a água cair. 

“Não podia ter feito isso, fui fraca, perdi o controle. Nunca agi assim, estou ficando louca! Fui lá e a agarrei ensandecida. Que estúpida! E o que eu disse? Não acredito. Deus me ajuda, nunca mais vou beber!” - falou para si mesma. 
           
                Ficou assim por longo tempo, sabia muito bem que aquela ação desesperada havia selado o fim.

            Os dias são longos quando delegamos ao tempo o poder de curar nossas feridas.

5 comentários:

  1. Tô louuca pelo proximo capitulo!!

    amei o seu livro, parabens.

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  2. Rubia disse...

    Meu Deus Isadora!!!!!que inconsequência,que rompante de ódio e desejo faz isso??? Hei Wind isso pode acontecer mesmo???áinossassinhoradabiscretarosa!!!!!
    Este capítulo ficou ótimo,tenso e destrutivo!!Parabéns

    19 de julho de 2012 22:26



    Anônimo disse...

    Wind... que dor... mas é assim mesmo, você descreveu perfeitamente. Mas por sorte, são apenas enganos, ilusões... elas vão ficar bem, não vão?
    Clau - SP

    19 de julho de 2012 23:55



    Viviane Fontes disse...

    que capitulo viu estou com pena das duas pois foi um engano esperando pra elas se resolverem logo adorando o conto bjos

    20 de julho de 2012 13:49



    Chester Perdigão disse...

    aaaaaaaaaaaah q capitulo fantástico... eeee dona Isadora se controle né...aaaah to esperando q elas se resolvam de uma vez e vo confesa, quando a Gabi saiu na procura dela e não viu o carro eu já pensei q a Isa ia sofre algum acidente...mas ainda bem q não sofreu nada! *-*
    to fascinada *-*
    beijinhos

    20 de julho de 2012 23:57



    Anônimo disse...

    Muito bom o capitulo!
    Isadora não aguentou a saudades mas fez um estrago..espero que elas resolvam esse mal entendido adoro as duas juntas!1
    Abraços!
    Andys

    22 de julho de 2012 19:35

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  3. Nossa....A Isa tá surtando com o que viu, né?
    Mas é assim mesmo, a nossa mente só precisa de um pouco para conceber as mais poderosas idéias sobre algo (às vezes positiva, outras vezes são inúmeros os fantasmas).
    wind, espero que a Isa coloque os pensamentos em ordem e resolva ouvir a Gabi.
    Tô adorando seu conto, vc. escreve muito bem!
    bjs.
    Rejane

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  4. As pessoas são capazes de cada atitude tola.

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